sexta-feira, 24 de março de 2017

Resenhas


Porque estudar é essencial!

Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaUm dos pilares da formação docente é o conhecimento, pois a prática não se sustenta por si só. E a maior função e responsabilidade dos docentes encarregados dessa formação acadêmica-profissional-pessoal é oportunizar o contato com as teorias de ensino/aprendizagem relevantes e em foco nos estudos da área, bem como o conhecimento da legislação vigente. Durante as férias acadêmicas, o cérebro dos pibidianos de Língua Inglesa ficou ocupado com dois assuntos de extrema relevância: as diretrizes contidas na BNCC e a Teoria da Complexidade, sendo que, neste momento, eles poderiam optar por um dos enfoques. A Base Nacional Comum Curricular configura-se em documento oficial que tende a substituir os antigos PCNs, futuramente, e merece toda a atenção dos licenciandos. Já a Teoria da Complexidade emerge como uma das teorias que melhor explica o processo da aprendizagem por suas especifidades cognitivas e integração de elementos valiosos na compreensão da aquisição de conhecimentos pelo elemento humano. Deixo a seguir, as percepções apresentadas pelos acadêmicos do PIBID/Inglês em forma de resenhas. Boa leitura!


  

A formação do aluno como cidadão em uma educação caótica e complexa



Bruno Henrique Porazzi

            Um dos principais tópicos presentes nas DCEs e PCNs acerca da formação do aluno em todo processo escolar remete a formação de cidadãos críticos para viver em sociedade, todavia, em muitas instâncias esses registros tornam-se utópicos e controversos. As formas como grande parte dos educadores do país trabalham é objetiva e rudimentar, sendo incapaz de desprender-se do material didático e assumir uma posição autêntica referente a maneira de como ensinar. Esses aspectos citados, devem ser supridos em toda formação como professor, entretanto é importante ressaltar de que a educação não sofreu grandes reviravoltas em décadas.
            Atualmente os sistemas educacionais têm como base a homogeneidade dos fatos, como por exemplo, X só pode ser igual a X, tudo que não se ajustar a essa dinâmica fica excluído; essa representação, faz com que o educador fique ainda mais submisso ao material didático, e dessa maneira, não é considerada toda a formação acadêmica do educador. Esse modelo supracitado, é reflexo de um passado que possui marcas profundas na educação. Há oito décadas, no início do ano de 1830, o Estado buscava especialização em mão-de-obra e transforma o jeito de como ensinar, de maneira com a qual o aluno se prepare para o mercado do trabalho. Hoje em dia essa marca ainda é reflexo do passado, porém está escondida atrás de um inimigo de todos os alunos que estão em suas últimas etapas do ensino médio, o vestibular.
            Tal objetivo descrito anteriormente, faz com que o aluno fique em uma encruzilhada em sua formação, pois a pressão de conseguir um bom resultado em um vestibular, faz com que desconsidere tais conteúdos que são importantíssimos para o seu saber. Na maioria dos casos, uma das matérias que possui menos interesse pelo aluno é a de línguas adicionais, que além de ser desconsiderada por parte deles, não possui autonomia em reuniões de classe e demais encontros com professores. A língua inglesa, em especial, é tratada como uma repetição de conteúdos entediante e fútil, todavia, apenas os professores de línguas adicionais entendem o quão difícil se torna a cumprir sua missão em tão poucas aulas e sem a devida atenção dos alunos.
            Para ultrapassar esse complexo paradigma da educação, é necessário tratar do aprendizado em diferentes modelos de pensamento, são eles: pensamento linear, trata-se de uma abordagem para as práticas mecânicas; pensamento sistêmico, refere-se à um instrumento de compreensão da complexidade do mundo natural; e o pensamento complexo que resulta na complementariedade das visões de mundo sistêmica e linear. Esses modelos tornam-se substanciais para promover princípios únicos relacionados a educação e a cidadania, tais como:
·         Todas as ações implicam em outras;
·         Autonomia nos projetos realizados;
·         Constante mudanças de sistemas;
·         Relacionar um conhecimento com o outro de forma com o qual complemente o outro;
·         Possibilidade de realizar trabalhos em grupo;
·         Facilita a forma de enfrentar situações no cotidiano;
·         Melhora a comunicação e as relações pessoais;
·         Respeita opiniões diferentes das próprias.
Algumas das maneiras de articular a cidadania em sala de aula, é fazer com que os alunos participem de eventos e atividades culturais, visto que, a cidadania faz parta da formação humana, que segundo Piaget, ele a descreve da seguinte forma, “os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios”, em outras palavras, todo humano passa por um processo bio-psico-social, que é concebido da seguinte maneira:
- bio: conhecimento de mundo;
- psico: percepções que geral sentimentos e emoções;
- social: elaboração dos tópicos anteriores que irão determinar o comportamento cotidiano.
            A formação docente é o passo mais importante em todo o desenvolvimento do educador, pois essa função, influencia diretamente na vida do aluno e em sua ideologia. É necessário que o professor saiba do significado da palavra educação, que em seu sentido amplo, é o ato de instruir, polir e disciplinar, porém, é importante que não se restrinja apenas a esses conceitos, mas sim, que projete de diversas formas a maneira de como ensinar. Um professor deve ser desenvolto e reflexivo, avaliando de forma constante as suas origens, propósitos e as consequências de seu trabalho em todos os níveis, desta forma, o educador desenvolverá competência profissional por meio de reflexões teóricas e práticas. Tais observações, fazem com que o professor aprimore suas habilidades em diferentes categorias, são elas:
- mapear: consiste em observar e coletar evidências do próprio ensino;
- informar: buscar significados por trás do mapeamento;
- contestar: procura inconsistências na relação dizer-fazer;
- instruir: busca por caminhos alternativos;
- agir: tentativa de ação em conformidade com as reflexões feitas.
            A concepção de linguagem é outro fator importantíssimo na formação do aluno e do professor, que deve ser desenvolvida de uma forma empática e compreensiva, fazendo com que o diálogo seja complementar ao aprendizado, envolvendo sistemas linguísticos como, dialetos, variedades linguísticas, registros falas individuais, entre outras. Tais questões, enfrentam uma barreira enorme no estudo de línguas adicionais, visto que o ensino da língua não tem um impacto tão grande na formação do aluno, devido às questões já discutidas anteriormente.
            Levando em consideração os aspectos abordados, percebe-se que a formação do professor deve partir de um pressuposto pessoal em toda a sua jornada, tendo isso em mente, ele saberá o que representa em sala de aula e o aluno não irá aprender apenas os conteúdos, mas sim como ser um cidadão e agir na sociedade, pois nenhum ser humano deve ser tratado de forma individual, mas pelo contrário, parte de um grande todo.

REFERÊNCIAS:
 BORGES, Elaine Ferreira do Bale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. ReVEL., v. 14, n27,2016 [www.revel.inf.br].
MARIOTTI, Humberto. Complexidade e pensamento complexo, Texto introdutório. São Paulo: Editora Palas Athena, 2000.
 RAMOS, Roberto. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa. Curitiba: Editora UFPR, 2008.
 BOEIRA, Sérgio Luís. Paradigma e Complexidade: Breve introdução.



COMPLEXIDADE


Fabiane Caron Novaes

Definir complexidade não é simplesmente afirmar que algo é complicado. Para Boeira (2005) a complexidade não está inclinada para um só lado, ela recusa a unilateridade e aborda a realidade contraditória e ambígua de uma maneira complexa. Segundo Morin (2005), paradigma é uma noção além das paredes das universidades, que “transcende os grupos de cientistas e remete a um conjunto de princípios que estão, por assim dizer, além das teorias, atrás e na frente de toda teorização.”
Condicionando as teorias e o processo de teorizar, não se pode considerar paradigma uma teoria, há dimensões veladas num paradigma. Já o paradigma da complexidade procede da consciência dos fracassos do paradigma e da crítica do paradigma da simplificação, reunindo vários paradigmas menores. Morin traça ao menos sete paradigmas da complexidade.
Complexidade é um fato, no mundo natural ele está ligado à multiplicidade, ao vínculo e a interação ininterrupta da imensidade de sistemas e fenômenos. Os sistemas complexos fazem parte de nós e vice versa. A complexidade é abrangente, flexível e um sistema de pensamento aberto – pensamento complexo. Mariotti (2000) define que a experiência humana não se divide em partes e nem se reduz a uma apenas, ela é toda bio-psico-social. Primeiro – percebemos o mundo, depois estas percepções geram sentimentos e emoções. Então se elaboram os pensamentos que determinam o nosso comportamento no dia a dia.
Para Mariotti “o modelo mental cartesiano é indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos (abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia).” Porém é insuficiente para solucionar problemas humanos em que atuam as emoções e sentimentos (a dimensão psico-social). O autor dá um exemplo:

O raciocínio linear aumenta a produtividade industrial por meio da automação, mas não consegue resolver o problema do desemprego e da exclusão social por ela gerados, porque se trata de questões não-lineares. O mundo financeiro é apenas mecânico, mas o universo da economia é mecânico e humano. (MARIOTTI, Humberto, 2000, p.2)

O pensamento complexo permite entender vários processos e baseia-se na obra de vários autores, e os trabalhos podem ser aplicados em biologia, sociologia, antropologia social e desenvolvimento sustentado. Humberto Maturana e Francisco Varela desenvolveram a biologia da cognição, que é uma das principais linhas, sustentando a realidade e “é percebida por um dado indivíduo segundo a estrutura de seu organismo num dado momento. Essa estrutura muda sempre, de acordo com a interação do organismo com o meio.”
Devemos equilibrar razão e emoção, porque o racional vem do emocional, não o contrário. E harmonizar o pensamento linear e o pensamento sistêmico. Esse é o projeto basilar do modelo complexo e crescer numa cultura significa adquirir e desenvolver cidadania. Baseando-se apenas no pensamento linear, não se pode produzir um entendimento aceitável da cidadania e do desenvolvimento sustentado Mas também, o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para os mesmos propósitos.
Em relação ao pensamento linear podemos dizer que é uma prática necessária, mas não consegue compreender e nem lidar com a totalidade da vida. O pensamento sistêmico é um instrumento de grande valia para entender a complexidade do mundo natural. Proporcionando resultados só operacionais, e não são suficientes para entender e alcançar a totalidade do cotidiano das pessoas.
O pensamento complexo reúne as visões de mundo linear e sistêmico. Mariotti (2000) explica que “essa abrangência possibilita a elaboração de saberes e práticas que permitem buscar novas formas de entender a complexidade dos sistemas naturais e lidar com ela, o que, é claro, inclui o ser humano e suas culturas.” Dessa maneira, são muito evidentes as conseqüências práticas dessa visão bem mais extensa.
Morin (2005) define que:

O Princípio Sistêmico ou Organizacional estabelece as ligações entre as partes e o todo. Ambos se encontram indissociáveis. Estão envoltos em um processo de interações, no qual as partes revelam o todo, e vice-versa, mantendo uma vinculação permanente. A Educação é parte de um todo – o contexto social e histórico, onde atuam diversas dimensões: a econômica, a cultural, a social, a política, a psicológica e a biológica, entre outras.

Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaA parte e o todo são considerados inseparáveis, neste caso, e estão ligadas de modo multidimensional. Portanto, a Complexidade possui recursos teóricos e metodológicos para entendê-la como um processo dialógico, que abriga a ordem e a desordem. Proporciona a reflexão e uma reavaliação do conhecimento, gerando um autoconhecimento. É uma possibilidade de reformular o processo educacional.
O artigo de Elaine Ferreira do Vale Borges, intitulado ‘’ Um modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas’’, é introduzido discutindo que por um lado existe grande preocupação com o processo interno (profissionalidade) da formação inicial de professores, e o por outro existe grande cuidado com o processo externo (profissionalização).
A autora da continuidade ao texto discutindo sobre esses termos ‘’profissionalidade e profissionalização’’ visto que a grande necessidade de se debater as bases de formações reflexivas que passem a refletir  a evolução docente como um sistema adaptativo complexo.
Borges apresenta em seu artigo modelos de ensino e reflexão na formação de professores, para melhor apresentar estes modelos a autora cita Smyth( 1991) que situa a ‘’ formação via reflexão qual parte da conscientização do professor da sua própria alienação e das forças limitam e impulsionam o seu fazer docente’’. 
Os modelos de ensino citados pela autora são: modelo artesanal que seria a imitação de bons profissionais, modelo da ciência aplicada que resulta na racionalidade técnica, e modelo reflexivo que é o desenvolvimento de competência profissional por meio de uma reflexão tanto teórica quanto prática. Estes três grandes modelos de educação profissional são descritos por Wallace (1991).
Borges cita também o autor Richards (2010), que enfatiza três concepções de ensino, as quais baseiam a formação dos professores: ciência- pesquisa; teoria-filosofia; arte-artesanato. Sendo a primeira derivada de pesquisa, experimentos e investigação empírica; a segunda baseadas em teorias e a última apoiada na invenção e personalização.
Mais adiante ao discutir as concepções de linguagens na licenciatura em letras, o autor salienta que tendo em vista a principal finalidade deste curso é a formação de professores de línguas e literaturas é preparado pelas concepções de linguagem, sendo que são estas concepções que constroem o objeto de estudo deste campo.
A autora prossegue conceituando a linguagem como SAC, argumentando que as três concepções clássicas de linguagem antecessoras estão baseadas em visões mentalistas, comportamentalistas ou interacionistas: sendo a primeira como expressão do pensamento, a segunda como instrumento de comunicação e a terceira como forma de interação.
Através da teoria do caos, Borges trabalha os sistemas caóticos e atratores como metáforas na profissionalidade docente. Segundo a autora um dos possíveis estados de um sistema caótico, em seu espaço de fases é conhecido como atrator estranho ou atrator caótico.
Para a autora através da metodologia da investigação é possível mapear alguns dos muitos significados, os quais constituem a formação inicial reflexiva para se planejar ações interventivas.
Em um dos tópicos trabalhados pela autora Borges sobre um modelo de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas na perspectiva de sistema caótico, entende-se que é construído via diagrama de blocos.
Segundo Palm III um diagrama de blocos ‘’ é uma forma de representar a dinâmica de um sistema linear ou não linear em forma gráfica’’. Os blocos representam a relação de entrada e saída de uma função de transferência.
No entanto através da leitura deste artigo, entende-se que a autora teve como objetivo discursar sobre um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas com foco principal nas concepções de linguagem.
O propósito da teoria da complexidade e transdisciplinaridade é propor uma nova forma de pensar sobre os problemas da atualidade. Além disso, a teoria da complexidade e transdisciplinaridade oferecem uma perspectiva de superação do processo de atomização. Ainda constata-se que a referida teoria encontra-se em fase de construção, bem como há uma grande quantidade de professores que buscam se basear em seus conceitos.
Dentro desta teoria há alguns princípios que são de fundamental importância a ser discutido neste trabalho. O primeiro é o princípio holográfico. Este tem por finalidade colocar aos educadores o dilema colocado pelas estruturas disciplinares e fragmentárias da educação. Dilema esse que obriga os professores a exercitarem na transdisciplinaridade, termo cunhado por Jean Piaget, que chegou inclusive a afirmar que, um dia, a interdisciplinaridade seria superada por transdisciplinaridade (Nicolescu, 2003 apud Santos, 2008).
O próximo princípio é o princípio da transdisciplinaridade. Este tem o propósito de potencializar a aprendizagem ao trabalhar com imagens e conceitos que impulsionam as capacidades emocionais, mentais e corporais dos alunos.  Isto ajuda os alunos a se entrosarem na construção de significados de cada um, ou seja, individualmente. Para Paulo Freire (1997). “Trabalhar a educação com tal visão supera a mesmice do padrão educativo, encanta o aprender e resgata o prazer de aventurar-se no mundo das idéias”. (apud Santos, 2008, p. 76). Ou seja, os alunos constroem seus próprios conhecimentos.
Entretando, o príncípio de completaridade dos opostos relata sobre ações que ocorrem no cotidiano da sociedade, que na maioria das vezes não temos muita certeza das coisas, vivemos no mundo da incerteza, assim é no ensino, nunca saberemos como será abordado a educação nos próximos dias, sendo que nos dias atuais, a educação se mostra abaixo dos princípios  e valores que deveria ser discutida.
Desta forma, o princípio seguinte relata sobre essa incerteza que por intermédio é chamado de princípio da incerteza. Neste referido princípio são abordados os métodos de ensino tradicionais. Este tem por finalidade fazer com que os professores reflitam e se desfaçam de alguns métodos de ensino tradicional que utilizavam a alguns anos atrás.  Como forma de mudança na educação, alguns professores que ainda fazem uso destes referidos métodos possam modificá-los de uma forma com que estimule a aprendizagem dos alunos.
O próximo e último princípio é chamado de princípio da autopoiese. Além dos princípios abordados anteriormente, este também é extremamente importante para os educadores e para a reflexão da metodologia de ensino. Este princípio, termo empregado por Maturana e Varela (1995) e segundo estes pesquisadores “concluíram que todo ser vivo é um sistema autopoiético, ou seja, que se auto-organiza e autoconstrói” (apud Santos, 2008, p. 80). A idéia de autopoiese relembra, ao que o autor Paulo Freire (1997) aborda que “o conhecimento não se transmite, se constrói” (apud Santos, 2008, p. 80).
Concluindo, a complexidade na educação atual resgata e possibilita uma reflexão para uma nova postura no ensino e aprendizagem. Primeiro em sua língua materna, para depois facilitar o aprendizado de uma segunda língua. A complexidade proporciona o pensamento aberto e facilita a evolução.


REFERÊNCIAS:
 BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. ReVEL, v. 14, n. 27, 2016 (www.revel. Inf.br).
 MARIOTTI, Humberto. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Editora palas Athena, 2000.
 MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina, 2005.

RAMOS, Roberto. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa.Educar, Curitiba, n. 32, p. 75-86, 2008. Editora UFPR.
 SANTOS, A. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares. Revista Brasileira de Educação, v.13, n. 37, 2008.



EDUCAÇÃO, CONHECIMENTO E COMPLEXIDADE

Roberta Aparecida Diadio

            Diante de diversas transformações na educação brasileira, algumas positivas e outras negativas, vamos sistematizar e analisar situações sobre a qual, a educação, o conhecimento e a complexidade acompanham nos dias atuais. A educação aqui, no Brasil, parece ter um modo pelo qual segue suas regras, e esse modo vem lá da antiguidade, em tempos de Colônia até chegar na República.
            Mas afinal, o que é complexidade? Conforme Mariotti (2000), não é uma teoria; complexidade é prática, é o fato. Ela só pode ser compreendida por quem possui mente aberta, além de possuir tamanha dimensão. Em outras palavras, é a recusa da unilateralidade e a percepção de que a realidade em si mesma é contraditória, ambígua e requer, para sua compreensão, uma abordagem complexa, Boeira (2009).
            Ao longo dos anos, conforme afirma Ramos (2008), o país tem adotado, como regra geral, a Atualização Histórica, que nada mais é que um processo de desenvolvimento, que prevê a submissão a um país desenvolvido. Progredir pode ser rápido, mas traz consigo uma herança sobre um domínio e exploração daqueles que estão afrente de nós, como exemplo podemos citar os países em desenvolvimento.
O oposto dessa Atualização Histórica é a Aceleração Evolutiva, Ribeiro apud Ramos (2008). Esta, por sua vez, é o progredir gradualmente, conforme a preservação daquilo que possui o poder nacional, ou seja, da soberania.
Em 1930, com a industrialização, mudou o conceito de estudar, e não passou mais a ter significado de formar cidadãos, pelo contrário, o que necessitava era mão de obra qualificada para trabalhar, então, assim, o estudo e a sua importância foram deixados de lado. Quatro anos depois houve uma mudança na Educação perante a Constituição. Estabeleceram um controle e uma sistematização em todas as instituições, tornando o estudo, obrigatório.
Já em 1964, tentaram revigorar a Atualização Histórica para se assemelhar aos Estados Unidos. Mas os norte-americanos mostraram que a forma de ensino deveria se dar pelas leis de mercado. Em 1985, mantiveram-na.
O presidente na época, Luís Inácio Lula da Silva, com seu discurso, acabou por conquistar grande massa da população brasileira, sobretudo, os nordestinos. A falta de instrução pelo presidente transformou a visão de mudança positiva à mudança negativa, como se tudo aquilo proposto havia se tornado algo descartável.
Com o passar dos anos, através de diversos filósofos, nas mais diversas e profundas transformações, as concepções metodológicas, como afirma Ramos (2008) não mudaram em sua essência e seu propósito. Nos variados níveis de conhecimento pode haver dois conceitos básicos que o autor aqui menciona como sendo o Discurso e a Mergulhia, que, para Barthes (2003) apud Ramos, significa possuir um objetivo de força, de coerção, de sujeição.
Conforme Ramos (2008), Descartes propõe o Método Cartesiano, mostrando uma visão de Conhecimento e o modo de como produzi-lo, através de quatro preceitos. São eles:
·         Algo que se vê acontecer e muito, na contemporaneidade: pessoas que afirmam fatos sem saber da realidade deles, ou seja, Descartes propõe que você procure saber antes de afirmar tudo e qualquer coisa.
·         O princípio da fragmentação: dividir um problema em algumas partes para que possa resolvê-los de forma mais autêntica e simples, sem complicações ou acabar por agravar o problema.
·         Colocar ordem e uma condução para seus pensamentos, deixar aqueles mais complexos por último; assim como aquilo que se fala, fale primeiro sobre aquilo que tem certeza, deixe sempre para o final aquilo que não se tem provas.
·         O quarto e último é: fazer de tudo, algo que não se possa omitir ou, que você possa fazer da omissão algo supérfluo.
Para Ramos (2008), quando é alcançado um Conhecimento Científico, as disciplinas acabam se isolando, e o que era organizado é tomado pela desordem.
Nos anos 70 apareceu o Paradigma da Complexidade. Este, se constitui por sete princípios, cada qual com sua relevância, conforme a descrição:
·         Princípio Sistêmico ou Organizacional: une as partes ao todo e mantem um vínculo entre ambos. Como exemplo, na Educação, há diversos segmentos a serem estudados diante de contexto social, cultural, histórico, seja na economia, política, biologia, dentre outros.
·         Homologramático: caracterizado assim, como o Princípio Sistêmico ou Organizacional, pela Metonímia, fazendo uma observação das partes que se localizam no todo.
·         Anel Retroativo: um evento não é filho de uma única causa.
·         Anel Recursivo: este, por sua vez, agencia a relação entre sujeito e objeto, ou criador e criatura.
·         Auto Eco Organização: estuda as relações entre autonomia e dependência.
·         Dialógico: protagonistas de processos, tendo o diálogo como um vértice permanente.
·         Reintrodução: diante da Educação, ela abriga os dialogismos contempladores de sujeitos e objetos.
Todos esses preceitos básicos estão interligados com a Transdisciplinaridade.
Ramos (2008), coloca um ponto de extrema importância ao dizer que, o Conhecimento está voltado para a exterioridade, sendo apenas um ritual projetivo, preocupado com o mercado e com a reprodução de mão-de-obra, não importando o modo; ou seja, ele apenas se justifica quando está se relacionando com o autoconhecimento. Diante disso, podemos afirmar então que Conhecimento e Complexidade andam sempre juntos.
Já o Paradigma da Complexidade, não existe para dar respostas prontas para tudo, ou para resolver problemas, mas sim, ele apresenta algumas soluções e alternativas para a dissolução de certas questões educacionais.
A teoria da Transdisciplinaridade e da Complexidade surgem diante do avanço do conhecimento e globalização, próximo ao século XXI. Isso vem mudando o modo e o jeito do ser humano pensar e idealizar fatos.
A estrutura educacional atual, não permite estimular que os docentes ensinem de um modo mais efetivo, pois professores tem cada vez mais deixado aquela indagação na cabeça dos alunos: “Por que devo e estou estudando isso? Para quê vai me servir?”. Têm-se deixado de lado a prática escolar com base em teorias fundamentadas e essas duas teorias acima citadas, propõem um estudo que vai além de pensar somente no sujeito-objeto, criador e criatura.
Santos (2008) menciona que essa fragmentação, as vezes, acaba se tornando prejudicial ao separar as disciplinas umas das outras, porque por exemplo, em relação da matéria didática, que tem como consequência a descontextualização do agir pedagógico, passando ela a ser uma disciplina apenas técnica, por meio da qual se aprende o uso das técnicas didáticas.
Sem dúvidas esse princípio fez sua parte, foi bom e útil, mas como no mundo há mudança e há evolução também, é preciso evoluir positivamente a forma de pensar e ensinar. Para isso, foi criado um outro princípio chamado de holográfico; este, por sua vez, afirma que a parte não somente está dentro do todo, como o próprio todo também está dentro das partes (Morin, 1991) apud Santos.

Essa disjunção de separar o todo em partes e vice-versa, tem também seu lado ruim, que causa a inabilidade de criar vínculos entre os conhecimentos obtidos. Mas não se trata somente disso. É possível também, ver o lado positivo, que é o abrir de novas perspectivas àqueles que pesquisam, atuando então, de uma maneira que estabeleça a interligação dinâmica.
Santos (2008) recomenda os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (Brasil, 2001), onde os temas transversais mostram o articular de diversas disciplinas, e transgridem as fronteiras de conhecimentos científicos de cada uma delas, viabilizando um olhar mais relevante do conhecimento e da vida; porque, são esses temas que fazem o resgate de conhecimentos inter-relacionando-os.
Voltando à questão da complexidade, podemos afirmar que há alguns princípios, benefícios e coisas a se aprender através do pensamento complexo, conforme Mariotti (2000):
Alguns dos princípios:
·         Tudo está interligado;
·         Toda ação resulta um feedback;
·         Todo feedback resulta novas ações;
·         Temos responsabilidade em tudo o que influenciamos;
·         Temos influencias diante de tudo o que nos responsabilizamos;
·         Nada se faz isoladamente;
·         Não há como pensar em um sistema sem pensar no contexto que o envolve.
Alguns dos benefícios:
·         Mostra que grande parte das situações se dão por determinados padrões;
·         Facilita no desenvolvimento de estratégias de pensamentos;
·         Concede um bom aperfeiçoamento a comunicações e as relações interpessoais;
·         Melhora no entendimento de situações;
·         Aumenta a capacidade de tomar grandes decisões.
É possível aprender por meio deste pensamento, que:
·         Pequenas ações muitas vezes têm grandes resultados;
·         Nem sempre aprendemos com nossa própria experiência;
·         Nós só podemos nos autoconhecer através dos outros;
·         Soluções imediatas nem sempre são as melhores;
·         Toda ação produz efeitos colaterais;
·         Soluções óbvias na maioria das vezes causam mais mal do que bem;
·         Imediatismo e inflexibilidade são passos rumo ao subdesenvolvimento, variando do lado pessoal ao cultural.
Relacionando o paradigma da complexidade com a educação atual, podemos perceber a necessidade de reflexão e também, de alunos que reflitam e sejam críticos perante seu próprio desenvolvimento. Todavia, quando o assunto é aprendizagem de línguas, a pauta torna-se mais complexa, pelo fato de que, muitas vezes, o que encontramos é alunos que não são críticos nem em sua língua materna, tampouco em uma segunda língua, pela qual não entendem.


Referências
 BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. ReVEL, v. 14, n. 27, 2016 (www.revel. Inf.br).
 MARIOTTI, Humberto. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Editora palas Athena, 2000.
 MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina, 2005.
 RAMOS, Roberto. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa.Educar, Curitiba, n. 32, p. 75-86, 2008. Editora UFPR.
 SANTOS, A. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares. Revista Brasileira de Educação, v.13, n. 37, 2008.




Resenha Complexidade
 Ana Carolina Batista 

Nas leituras realizadas sobre pensamento complexo e transdisciplinaridade voltados para a área da educação, percebe-se que são poucas as diferenças que se pode encontrar quando se fala sobre o assunto. No texto “Um Modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas” de Elaine Ferreira do Vale Borges, onde se tratam das diferentes vertentes na formação de docentes, as práticas de ensino e teorias pedagógicas.
            No Brasil, a formação de professores de línguas se preocupa bastante com o desenvolvimento da profissionalidade na formação inicial e continuada na visão da perspectiva reflexiva do professor fundamentadas em modelos de ensino reflexivo. Estudos e reflexões de fenômenos em linguística aplicada, atualmente sobre a aquisição de uma segunda língua, demonstram a necessidade de discussões de modelos reflexivos que contemplem o fenômeno do desenvolvimento do docente como um SAC (sistema adaptativo complexo), o Estágio Curricular Supervisionado tem esse objetivo na formação inicial de professores de línguas.
            Na formação de professores há varias metodologias, que tem em vista melhorar a prática dos docentes, principalmente a perspectiva reflexiva, em harmonia com a pedagogia mais crítica inserida na filosofia da educação. A formação pela reflexão prove da conscientização do professor para com sua alienação e forças que limitam e/ou impulsionam em sua profissão.
            A conceituação de linguagem como SAC, está ligada a três concepções clássicas antecessoras, mentalista, comportamentalista ou interacionista. A mentalista é individual e tem a língua como normas, comportamentalista a língua é instrumento de comunicação (código linguístico) e interacionista a língua é forma de interação na atividade discursiva, ou seja, língua como ato de fala.
            Para que haja um desenvolvimento reflexivo do professor de línguas necessita-se de etapas, observação, reflexão, intervenção e avaliação, e subetapas como, produção de planos de aula e materiais didáticos, análise de livros didáticos, etc; a visão sistêmica da formação inicial tem em um primeiro momento as concepções clássicas de linguagem, em segundo as concepções de linguagem como SAC, se inicialmente emergir a visão de linguagem como SAC, essa será a condição em que se movimentará o sistema.
Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaO que a autora sugere é que os professores que estão formando novos professores incentivem os acadêmicos durante o Estágio Curricular Supervisionado no curso de Letras, tanto para Literatura quanto para Língua utilizem um modelo de plano de aula ou sequência didática bem estruturada, que abranja varias questões teóricas previstas no desenvolvimento da aula, como por exemplo, qual abordagem será escolhida no ensino da língua, qual estratégia didática, habilidade na língua, quais as unidades de ensino, etc.
O artigo apresenta um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de língua, com foco nas concepções de linguagem, que fundamentam e movem a profissionalidade nos cursos de Letras. Esse modelo retoma práticas de ensino reflexivo que já são consolidadas na área, assimilando pontos e inserindo questões previstas na teoria geral de sistemas e na teoria do caos.
No texto de Akiko SantosComplexidade e Transdisciplinaridade em Educação: Cinco Princípios para Resgatar o Elo Perdido”, também pode ser visto que uma mudança no modo de pensar na educação seria bem vinda, pois ela esclarece que, a teoria da complexidade e da transdisciplinaridade surgem em decorrência do avanço do conhecimento, e seus contextos são contrários aos princípios cartesianos da fragmentação do conhecimento e dicotomias das dualidades.
A fragmentação do conhecimento se generaliza e se reproduz no meio social e educacional, e tem configurado o modo de pensar dos sujeitos. A teoria da complexidade e transdisciplinaridade ainda estão em processo de construção, mas já existem educadores que recorrem a seus conceitos.
Os princípios potenciais foram desenvolvidos por cientistas de diversas áreas para se tentar um resgate do sentido do conhecimento para a vida, elo que foi perdido com a fragmentação, os princípios são:
Princípio holográfico, afirma que a parte não está somente dentro do todo, como o todo não está dentro das partes, ou seja, relação íntima de interdependência entre dois termos que se polarizam, esse princípio remete a articulação dos pares binários;
Princípio da transdisciplinaridade, distingue vários níveis de realidade, não em apenas um nível como na lógica clássica, a transdisciplinaridade transgride a lógica da não-contradição, assim articulando contrários, ex.: sujeito e objeto;
Princípio da complementaridade dos opostos, se o conhecimento for concebido pelo princípio holográfico e pela transdisciplinaridade, deve-se olhar também para a complementaridade dos opostos, que se opõe a dicotomia dos binários, o que nos leva para a realidade integrada, ou seja, individuo “e” sociedade, etc; pois dicotomias tendem a exaltar apenas uma das características binárias, que no ensino gera incompreensões no processo de aprendizagem e incapacidade de articular diversas dimensões;
Princípio da incerteza é contrário à dualidade das dicotomias e prioriza a dimensão que contribui para a construção da ordem, torna-se então uma visão reducionista, esse princípio é disseminado pela ciência moderna e pelo método de comprovação. O princípio da incerteza está intimamente ligado à vida dos seres humanos, que o manipulam para sobreviver. A construção da incerteza gera um sentimento de normalidade, mas não em termos absolutos;
Princípio da autopoiese faz repensar a metodologia de ensino, todo ser vivo é um sistema autopoiético, ou seja, se auto-organiza e autoconstrói, essa ideia lembra uma proposta de Paulo Freire na qual O conhecimento não se transmite, se constrói. Na educação esse conceito usa a metodologia que estimula os alunos a produzir o próprio conhecimento, e o docente se torna um facilitador para a aquisição desse conhecimento. Esses princípios estão todos integrados à teoria da complexidade e transdisciplinaridade.
Nos dois textos Complexidade e Pensamento Complexo (texto introdutório) de Humberto Mariotti e Paradigma e Complexidade: Breve Introdução de Sérgio Luís Boeira ambos são bons para se iniciar as leituras sobre pensamento complexo, pois conseguem de forma objetiva e de certo modo simples mostrar que esse conceito pode ser aplicado e explicar de que se trata, os benefícios que pode trazer e o que se pode aprender com ele.
E por fim no texto A Educação e o Conhecimento: Uma Abordagem Complexa do Professor Doutor Roberto Ramos, trata da educação brasileira e as etapas que ela teve durantes os governos do país, e a insistência em continuar a usar o método cartesiano que promove a fragmentação do conhecimento, e assim como em todos os textos que foram lidos tenta-se mudar esse tipo de pensamento para que o ensino seja abordado de maneira mais complexa e ao mesmo tempo cumpra as necessidades dos alunos e não priorizar um só tipo de conhecimento, como nas dicotomias já faladas.

Referências:
BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um Modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas. ReVEL, v. 14, n. 27, 2016 [WWW.revel.inf.br].
SANTOS, Akiko. Complexidade e Transdisciplinaridade em Educação: Cinco Princípios Para Resgatar o Elo Perdido. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 37, jan/abr, 2008.
RAMOS, Roberto. A Educação e o Conhecimento: Uma Abordagem Complexa. Educar, Curitiba, n. 32, p. 75-86, 2008. Editora UFPR.
MARIOTTI, Humberto. Complexidade e Pensamento Complexo (Texto Introdutório). São Paulo: Editora Palas Athena, 2000.
BOEIRA, Sérgio Luís. Paradigma e Complexidade: Breve Introdução.





Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaTeoria do Caos e da Complexidade
 Marcel Augusto Gonçalves
Segundo o texto Complexidade e Pensamento Complexo de Humberto Mariotti, a complexidade corresponde a multiplicidade, ao entrelaçamento e à contínua interação da infinidade desses temas e fenômenos que compõem o mundo natural e que ela só pode ser entendida por um sistema de pensamento aberto, abrangente e flexível, procurando compreender as mudanças constantes do real sem negar a multiplicidade, a aleatoriedade e a incerteza, e sim conviver com elas.
Mariotti relembrando a teoria de Piaget afirma que a experiência humana é um todo bio-psico-social na qual primeiro percebemos o mundo, em seguida as percepções geram sentidos e emoções e posteriormente serão elaborados em forma de pensamentos as quais determinarão o nosso comportamento cotidiano.
            A cultura e a educação também são fatores que determinam as nossas práticas cotidianas segundo o ponto de vista bio-psico-social o principal problema para a implantação do desenvolvimento sustentado é a predominância do modelo mental linear em nossa cultura a qual exclui a complementariedade e a diversidade. A lógica linear, segundo o autor é responsável pelo imediatismo que dificulta e impede a compreensão de fenômenos complexos.
            Outra crítica feita pelo autor é em relação ao modelo mental cartesiano que o próprio Mariotti reconhece como indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos, porém não consegue resolver o problema do desemprego e da exclusão social. O autor afirma que desde os primeiros dias da escola nosso cérebro começa a ser formado pelo modelo linear que é responsável por bases ideológicas autoritárias de um pensamento no qual a exclusão é vista como “lógica” e “natural”. Afinal a diversidade de visões não impede que cheguemos a acordos sobre o mundo em que vivemos.
            O pensamento racional segundo o autor é o resultado de nossas percepções que só depois são transformadas em pensamentos os quais geram discursos que são formalizados como conceitos, o racional deriva do emocional, não o contrário, porém isso não quer dizer que devamos deixar de ser racionais mas sim buscar uma harmonia entre razão e emoção, pensamento linear e pensamento sistêmico, essa é a proposta básica do modelo complexo.
            A cultura é quem irá definir um modo de viver, a cultura é definida por discursos que nela predominam, os consensos sociais são resultados desse discurso que por sua vez são oriundos das redes de conversação, crescer numa cultura significa, então, adquirir e desenvolver cidadania. Segundo o texto, uma cultura que não desenvolve cidadania de seus membros não cresce, permanece subdesenvolvida.
            Mariotti, ao criticar o pensamento linear, reconhece também que o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para uma compreensão satisfatória da cidadania. Há a necessidade de complementariedade entre esses dois modelos mentais, precisando de um modelo de pensamento que lhe dê a base e a estrutura, esse é o pensamento complexo. Em nossa cultura os processos de pensamento estão voltados apenas para o modelo linear, em que apenas um esforço educacional que comece na infância terá possibilidades de reverter esse quadro.
            O autor pontua alguns princípios do pensamento complexo, o qual defende que: tudo está ligado a tudo, o mundo natural é constituído de opostos, toda ação implica feedback, todo feedback resulta em novas ações, e que vivemos em círculos sistêmicos e dinâmicos de feedback, e não em linhas estáticas de causa-efeito imediato.
            Em seguida pontua alguns benefícios do pensamento complexo, como: facilitação do desenvolvimento de melhores estratégias de pensamento, permitindo não apenas entender melhor e com mais rapidez as situações, mas também ter a possibilidade de mudar a forma de pensar que levou a elas, permite também aperfeiçoar as comunicações e as relações interpessoais, e também a entender as situações com mais clareza, extensão e profundidade.
            Para finalizar o artigo nos são pontuados o que se pode aprender por meio do pensamento complexo: que pequenas ações podem levar a grande resultados, nem sempre aprendemos pela experiência, só podemos nos autoconhecer com ajuda dos outros, que soluções imediatistas podem provocar problemas ainda maiores do que aqueles que estamos tentando resolver, que soluções obvias em geral causam mais mal do que bem, e que os melhores resultados vêm da conversação e do respeito à diversidade de opiniões, não do dogmatismo e da unidimensionalidade.
            Segundo Sérgio Luís Boeira em seu texto Paradigma e Complexidade: Breve Introdução, complexidade diferentemente do senso comum significa o afastamento de noções unilaterais e não complicação, é a percepção de que a realidade em si mesma é contraditória, ambígua e requer, para a sua compreensão, uma abordagem completa.
            Boeira nos remete a Thomas Kuhn quando ele concebe a noção de paradigma entre as ciências naturais, mas viu as ciências sociais como pré-paradigmáticas. Para Kuhn paradigma é a fase de maturidade de uma disciplina científica, na fase madura, a ciência se torna normal, distante do senso comum. Já para Edgar Morin paradigma não remete a uma ciência estável, segura e indiferente ao senso comum, mas é uma noção que ultrapassa as paredes das universidades, transcende os grupos de cientistas e remete a um conjunto de princípios que estão, por assim dizer, além das teorias, atrás e na frente de toda teorização.
            O paradigma não é apenas uma visão de mundo, é também um pensamento dissimulado, cego, que se oculta em forma de pressupostos e princípios que limitam a própria racionalidade lógica. Segundo Morin o paradigma também tem aspectos ideológicos já que tende a fechar-se como sistema de ideias, a reforçar apenas o que lhe convém e a refutar o que lhe é estranho e ameaçador.
            O paradigma da simplificação, segundo o autor, é concebido como a síntese dos paradigmas que dominam as ciências e as culturas desde o século XVII desde o cartesianismo, e que tem determinado uma multiplicação de disciplinas cientificas incapazes de dialogar entre si. A complexidade busca revelar o que a simplificação esconde. Então, se a visão simplificadora se volta unilateralmente para a ordem, a complexidade observa a relevância da desordem, e vice-versa.
            Segundo Roberto Ramos em seu texto A Educação e o Conhecimento: Uma Abordagem Complexa, a educação brasileira independente de governos e modelos de desenvolvimento tem convivido um impasse, ela move-se apenas pelo método cartesiano promovendo a esquizofrenização do conhecimento separando o objeto do sujeito. Ramos retoma o paradigma da complexidade de Edgar Morin (citado anteriormente) a fim de repensar o processo educacional como um processo complexo.
            O autor nos diz que a educação no Brasil é um apelo nos discursos políticos, sobretudo em períodos eleitorais. Porém, a prática possui outra feição. Compromete-se com uma dimensão econômica, cuja hegemonia se pronuncia pelos apelos do mercado. A Revolução de 1930, de acordo com Ramos, colocou a burguesia como classe dominante trazendo um projeto nacionalista de industrialização, que repercutiu em termos de conceitos econômico e educacionais. A industrialização exigia mão-de-obra, o que resultou numa reorganização no setor educacional onde era preciso integra-lo nos objetivos econômicos reproduzindo-os por intermédio da legitimação. Mais do que um instrumento econômico, a educação passou a representar um relevante componente ideológico. A Constituição de 1934 estruturou a educação estabelecendo seu controle centralizado pelo Estado. O autor cita inclusive, o processo educacional durante o Regime Militar de 1964, no qual ocorreu o resgate da Atualização Histórica como modelo de desenvolvimento, apegado a uma metrópole primeiro-mundista, à imagem e à semelhança dos Estados Unidos.
            A orfandade de instrução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relacionada com o seu êxito de ascensão social, parece ter promovido uma marcha-ré. Transformou a educação e o investimento intelectual em artigos supérfluos e descartáveis. Ao longo da história brasileira, a Atualização Histórica, como hegemônica, e a Aceleração Evolutiva como contra hegemônica tratam a educação como prioridade básica a fim de formar mão-de-obra para o mercado, sem priorizar a dimensão subjetiva que agencia a cidadania.
            O autor em seguida faz uma crítica ao modelo cartesiano dizendo que ele agencia o sentido de que a lógica das ciências exatas é sinônimo da lógica do conhecimento, como uma totalidade. Ramos também critica o conhecimento científico de que quando alcançado tem características absolutizantes, tornando a educação esquizofrênica em partes, sendo disciplinas que se isolam, nas quais o conhecimento, de características racionais e objetivas, dá conta da ordem, mas não da desordem.
            O Paradigma da Complexidade estabelece o conhecimento sobre as práticas da produção de Conhecimento, é instituído e constituído por sete Princípios da Complexidade, inscritos e circunscritos na Transdisciplinaridade reavaliando os diálogos entre conceitos teóricos e disciplinas. Ramos cita os sete princípios da Complexidade propostos por Morin em 1999, são eles: O Sistêmico, liga o conhecimento das partes ao conhecimento do todo. Hologramático, observa que as partes estão no todo e vice-versa. Anel Retroativo, estipula que a causa age no efeito. Anel Recursivo, estabelece que o produtor faz o produto e vice-versa Auto-eco-organização, estipula as possibilidades dialógicas que envolvem a autonomia e a dependência. Dialógico, sustenta que os opostos, os diferentes, dialoguem na complexidade. Reintrodução, vê o conhecimento como um processo que envolve o sujeito e o objeto.
            Os sete princípios no âmbito educacional são agenciadores e agenciados, em sua discursividade, por um nó como o próprio autor cita. É a Transdisciplinaridade, que elimina, distancias, barreiras, e separações entre teóricos, disciplinas e conceitos, configurando outra concepção de conhecimento. Com isso Morin contrapõe a Complexidade ao Paradigma Simplificador, dentre elas o Cartesianismo, em seu projeto racional, sob a régua e o compasso, das ciências exatas, sobretudo, a matemática, com as interpelações racionais e objetivas, os quais são validos para estudar objetos previsíveis. Não é o caso da Educação.
            Segundo Akiko Santos em seu artigo Complexidade e Transdisciplinaridade em Educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido procura como o próprio título sugere resgatar o elo perdido com a prática de fragmentação do conhecimento analisando a atual estrutura educacional, a qual ele considera sedimentada com base em princípios seculares o qual tem levado os docentes a uma prática de ensino insuficiente para uma compreensão significativa do conhecimento.
            De acordo com o autor, a Teoria da Complexidade e Transdisciplinaridade sugere a superação do modo de pensar dicotômico das dualidades, proveniente da visão disseminada por Descartes estimulando um modo de pensar marcado pela articulação pela qual houve a supervalorização da objetividade e da racionalidade negando a subjetividade, a emoção, a articulação dos saberes disciplinares e o contexto. Em seguida faz uma crítica aos princípios que fundamentam as organizações sociais, culturais, educacionais que se apoiam na recomendação de Descartes, segundo a qual, quando um fenômeno é complexo se deve dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quanto possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolve-la, esse princípio é chamado de princípio da fragmentação que teve como consequência a prática pedagógica organizando-se nos moldes dos pares binários, criou-se a subdivisão do conhecimento em áreas, institutos e departamentos, cada qual delimitado pelas fronteiras epistemológicas, na prática, as grades curriculares, que impedem o fluxo de relações existentes entre as disciplinas e as áreas do conhecimento. Assim como a observação de Petraglia (1995) colocada pelo autor na qual “Os princípios da disjunção e da simplificação concretizam-se na educação por meio de uma estrutura disciplinar do conhecimento, (...) o professor crê que a soma das partes listadas nas grades curriculares significa o todo do conhecimento”. Norma essa que tem provocado a incapacidade de estabelecer relações entre os conhecimentos obtidos.
            Apesar das críticas, o autor reconhece que o princípio da fragmentação acumulou conhecimentos o que ocasionou um grande avanço tecnológico, essa separação, por um lado é positiva pois proporciona o estudo aprofundado das partes, o que sugere mudanças de conceitos e princípios apropriadas ao progresso atual da ciência, mas essa fragmentação deve voltar à contextualização, podendo não ser apenas as somas das partes, mas algo mais.
             Akiko posteriormente faz críticas ao sistema avaliativo no âmbito educacional, colocando o professor como detentor do conhecimento, e que a avaliação reafirma uma sociedade classista, elitista e excludente, afirma ainda que a educação nos moldes tradicionais, com rigidez conceitual e atitudinal não concorda com o que, no mundo contemporâneo, se exige em relação ao perfil de flexibilidade e autonomia dos trabalhadores, colocado pelo mercado de trabalho.
Então nos remete a duas citações de Paulo Freire, sendo elas “ Os alunos constroem conhecimentos” e “Conhecimento não se transmite, se constrói”. O autor então explica que na prática isso implicaria a uma metodologia que estimule os alunos a produzir o próprio conhecimento, o que faria com que a função docente passasse a ser a de facilitar diálogo com os saberes, respeitando-se a diversidade e as características de cada um dos participantes do processo educativo, aceitando-se cada aluno como um ser indiviso, com estilo próprio de aprendizagem e diferentes formas de resolver problemas. Segundo Akiko, o conhecimento resulta do enredamento dos aspectos do físico, do biológico e do social, considerando-se inseparáveis e simultâneos. O autor traz à tona críticas a pedagogia bancária, a qual foi bastante criticada por Paulo Freire, já supracitado, a qual prevê que as informações repassadas do docente para o aluno são assimiladas integralmente pelos “bons” alunos, segundo o autor.
Por fim temos o artigo “Um Modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas” escrito por Elaine Ferreira do Vale Borges. Seu artigo trata-se de uma pesquisa interpretativista-qualitativa, analisando dados coletados entre os alunos do curso de Letras Português/Inglês da Universidade Estadual de Ponta Grossa durante os anos de 2014, 2015, 2016, respaldado pela teoria geral dos sistemas e a teoria do caos. A pesquisa é norteada pela pergunta “Quando você vai ensinar língua inglesa, preparar suas aulas e elaborar ou selecionar materiais didáticos qual é a concepção de língua (gem) que permeia suas escolhas/ações? ”. Relembrando as três concepções de linguagem: Como expressão de pensamento, como instrumento de comunicação e como forma de interação.
Borges afirma que a formação inicial de professores tem se pautado em diferentes vertentes, por um lado há a preocupação com a Profissionalidade (processo interno) sendo um estado de trabalho do professor num continuum restrito-estendido: estando em uma extremidade as experiências e instituições relacionadas à prática de ensino e na outra uma visão ampla do que envolve a educação e as teorias pedagógicas, o termo profissionalização vincula-se ao status dentro da divisão social do trabalho. Por outro a Profissionalização (Processo externo) como sendo uma demanda por parte das autoridades nacionais de educação por novas políticas de ensino de ensino e formação de professores, normas e outras formas de prestação de contas, inserida na perspectiva da globalização que enxerga a segunda língua (inglês) como língua de comércio, de comunicação internacional.
 A autora afirma que com o advento do paradigma da complexidade nos estudos e reflexões em Linguística Aplicada, no que se refere ao ensino e à aquisição de segunda língua, emerge a necessidade da discussão de modelos de forma reflexiva que reflitam o fenômeno do desenvolvimento docente como um sistema adaptativo complexo (SAC).
 Nos é apresentado no artigo a visão de diferentes autores, assim como descreve a autora: Smyth (1989) que coloca a formação via reflexão como parte da conscientização do professor da sua própria alienação (alienação segundo a autora, no sentido de: encontrar-se na separação e dissociação entre teoria e prática) e das forças que limitam/impulsionam o seu fazer docente.  E que segundo Zeichner e Liston (1986): um professor reflexivo é aquele que “avalia as origens, propósitos e consequências de seu trabalho em todos os níveis”, os níveis que constituem o processo de ensino reflexivo são: mapear, informar, contestar, instituir e agir. A partir disso Wallace (1991) descreve três modelos de educação profissional: Modelo artesanal, Modelo da Ciência Aplicada e Modelo Reflexivo. Richards (2010) por sua vez apresenta três concepções de ensino que fundamentam a formação de professores de línguas, são elas: Ciência-Pesquisa, Teoria-Filosófica e Arte-Artesanato.
Tendo esses autores como base, Borges citando Abrahão diz ser preciso evidenciar o conhecimento já consolidado do professor, e que devem ser fornecidas teorias a serem confrontadas na prática docente em sala de aula.
Trazendo o foco para a pergunta que norteia sua pesquisa (Quando você vai ensinar língua inglesa, preparar suas aulas e elaborar ou selecionar materiais didáticos qual é a concepção de língua (gem) que permeia suas escolhas/ações?) diz ser necessário fazer-se constantemente essa pergunta como um exercício nos cursos de formação inicial na licenciatura em letras, principalmente nas disciplinas de prática de ensino e de estagio curricular supervisionado. Afirmando ser pungente a importância das concepções de linguagem para o desenvolvimento da profissionalidade do professor de línguas nos cursos de Licenciatura em Letras, no qual “Processos de interação humana, juntamente com os processos cognitivos de domínio-geral, moldam a estrutura e conhecimento da língua”.
Os resultados de sua pesquisa apontaram que a maioria das respostas dos alunos entrevistados foi a da concepção de linguagem como forma de interação, porém isso não resultou em que os planos de aula tivessem como foco a língua com essa concepção. Segundo a autora isso significa que apesar do curso de licenciatura em letras enfatizar a concepção de linguagem como interação em suas várias disciplinas, o foco na gramática continua perpetuando na prática docente.
Para mudar esse quadro a autora propõe que pode ser implementada discussões, via seminários reflexivos ao início de cada semestre, no qual os alunos apresentariam os trabalhos e em seguida fariam as discussões acerca do trabalho analisando as condições que podem ser inserias no sistema como a concepção de linguagem como SAC. Assim a autora diz ser importante mapear o processo, pois assim pode-se fornecer o estado atual provisório em que o sistema se encontra no panorama de suas possibilidades, e possibilita reconhecer as condições iniciais do sistema e seus possíveis atratores. Para finalizar o artigo Borges afirma que com isso há a possibilidade de o formador traçar novas condições iniciais para a dinamização do sistema que deseja promover a reflexão, com o intuito de promover esforços na tentativa de mudança de atratores. Sendo assim, mapear as condições inicias da formação docente e posteriormente informar, interrogar e avaliar (como pontua Smyth) poderia contribuir para o desenvolvimento do que Smyth considera ser o professor reflexivo.
            Ao analisarmos os cinco artigos, podemos notar que todos eles em algum ponto fazem uma crítica ao que chama de “modelo linear” ou “modelo Cartesiano”, o qual segundo os autores supracitados é tido como modelo objetivo racional proveniente apenas nas ciências exatas pois deixa de lado o emocional, alguns autores como Mariotti e Moeira defendem ser preciso encontrar o equilíbrio entre o objetivo e o subjetivo, papel esse que caberia ao estudo complexo.
            Os autores defendem também a importância do diálogo em sala de aula a fim de promover reflexões tornando as matérias mais “interessantes”. Fazendo assim uma crítica ao que eles caracterizam como sendo o “modelo tradicional” que teria como objetivo a formação profissional do aluno em relação as demandas do mercado de trabalho. E assim como o artigo de Roberto Ramos critica a atualização histórica defendendo a aceleração evolutiva.
            Porém ao fazerem essas críticas e tentarem apresentar as propostas do modelo complexo acabam utilizando como exemplo o modelo pedagógico proposto por Paulo Freire, que se analisado podemos notar que não se trata de um equilíbrio e sim um contraponto ao modelo tradicional. Paulo Freire criticava o “modelo bancário” no qual segundo ele o professor apenas depositaria o seu conhecimento no aluno tratando-o como algo vazio. Freire lança então a pedagogia do oprimido na qual ele defende a importância de discussões que permeiam as causas sociais enfrentadas pelo aluno, trazendo então o professor não como alguém que transmite conhecimento, mas sim um promotor de diálogo, dessa maneira Freire fala algumas frases defendidas no texto de Akiko Santos quando diz que os alunos constroem o conhecimento e que este não se transmite, se constrói. Sendo assim Freire assume que o aluno é detentor do seu próprio conhecimento, logo o professor tendo seu papel apenas como mediador, o professor perde sua autoridade em sala de aula e sua função de promover o conhecimento.
            A partir destes apontamentos podemos perceber que o modelo pedagógico de Paulo Freire também não se trata de um equilíbrio pois apenas substitui o saber objetivo por discussões subjetivas, o conhecimento racional, pela emoção a fim de mostrar aos alunos os “males da sociedade” tornando o ensino algo muito mais ideológico que científico, fazendo desse processo o mesmo “modelo bancário” apenas substituindo a palavra conhecimento por ideologia.
            Freire defendia também discussões baseadas em questões como aspectos físicos, biológicos e sociais do aluno. Trazendo isso para os dias atuais na escola são as discussões raciais, de gênero e a disputa de classes, assim como a teoria de Marx da qual Freire era adepto, e já se mostrou mais do que ineficiente.
            Portanto defender modelos pedagógicos como de Paulo Freire, apenas por ser contrário ao modelo tradicional, é um grande erro, pois assim como as teorias de Marx, a pedagogia do oprimido também tem se mostrado ineficiente. Críticas em relação a esse modelo pedagógico são muito mais do que críticas ideológicas, o Brasil tem mostrado um grande declínio no âmbito educacional adotando o “Método Paulo Freire”. Para provar isso basta analisarmos as colocações do Brasil nos últimos exames do PISA (Programme for International Student Assetment), um dos testes mundiais mais importantes, que avalia o sistema educacional de 67 países, no qual o Brasil vem caindo cada vez mais, basta analisarmos o exame realizado no exame de 2015, onde o Brasil aparece na frente apenas dos seguintes países: Peru, Líbano, Tunísia, República da Macedônia, Kosovo, Argélia e República Dominicana. Países esses que enfrentam diversos problemas como a guerra, o que os impossibilita de priorizar a educação, problemas esses não enfrentados no Brasil, mas que divide a colocação com esses países.
             Há também as críticas em relação a autoridade do professor em sala de aula, e novamente o coloca apenas como promotor do diálogo, ao olharmos novamente ao exame do PISA de 2015 vemos nos primeiros lugares países como Singapura, Japão, China, Estônia e Canadá, países que certamente não questionam a autoridade e rigidez do professor em sala de aula e a transmissão de seu conhecimento. Isso nos leva a questionar então se realmente estamos tratando a educação como prioridade como ouvimos em todo período eleitoral.
            Porém para alguns desses autores, pegar como base métodos aplicados em países desenvolvidos e inseri-los no Brasil é errado, ao invés disso continuamos a cair no Ranking global de educação e em contrapartida da formação da cidadania e de alunos capacitados para o mercado de trabalho a fim de construírem uma vida prospera, estamos à beira da deriva nos importando apenas com uma guerra ideológica. O equilíbrio proposto pelo método complexo está longe de ser alcançado no Brasil.

Referências:

MARIOTTI, Humberto. Complexidade e Pensamento Complexo. São Paulo, 2000.
BOEIRA, Sérgio Luís. Paradigma e Complexo: Breve Introdução.
RAMOS, Roberto. A Educação e o Conhecimento: Uma Abordagem Complexa. Curitiba: Educar, 2008.
SANTOS, Akiko. Complexidade e Transdisciplinaridade em Educação em Educação: Cinco Princípios Para Resgatar o elo Perdido. Rio de Janeiro: Revista Brasileira de Educação, v.13, 2008.
BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo Caótico de Desenvolvimento reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas. ReVEL, v.14, n.27, 2016.
Organisation for Economic Co-operation and Development. Resumo de Resultados Nacionais do PISA 2015. Disponível em: <http://www.oecd.org/pisa/PISA-2015-Brazil-PRT.pdf> acesso em: 4 de março de 2017.




Resenha Complexidade
Jaqueline Correia

Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaO artigo de Elaine Ferreira do Vale Borges, intitulado ‘’ Um modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas’’, é introduzido discutindo que por um lado existe grande preocupação com o processo interno (profissionalidade) da formação inicial de professores, e o por outro existe grande cuidado com o processo externo (profissionalização).
A autora da continuidade ao texto discutindo sobre esses termos ‘’profissionalidade  e profissionalização’’ visto que a grande necessidade de se debater as bases de formações reflexivas que passem a refletir  a evolução docente como um sistema adaptativo complexo.
Borges apresenta em seu artigo modelos de ensino e reflexão na formação de professores, para melhor apresentar estes modelos a autora cita Smyth ( 1991) que situa a ‘’ formação via reflexão qual parte da conscientização do professor da sua própria alienação e das forças limitam e impulsionam o seu fazer docente’’. 
Os modelos de ensino citados pela autora são: modelo artesanal que seria a imitação de bons profissionais, modelo da ciência aplicada que resulta na racionalidade técnica, e modelo reflexivo que é o desenvolvimento de competência profissional por meio de uma reflexão tanto teórica quanto prática. Estes três grandes modelos de educação profissional são descritos por Wallace (1991).
Borges cita também o autor Richards (2010) que enfatiza três concepções de ensino, as quais baseiam a formação dos professores: ciência- pesquisa; teoria-filosofia; arte-artesanato. Sendo a primeira derivada de pesquisa, experimentos e investigação empírica; a segunda baseadas em teorias e a última apoiada na invenção e personalização.
Mais adiante ao discutir as concepções de linguagens na licenciatura em letras, salienta que tendo em vista a principal finalidade deste curso é a formação de professores de línguas e literaturas é preparado pelas concepções de linguagem, sendo que são estas concepções que constroem o objeto de estudo deste campo.
A autora prossegue conceituando a linguagem como SAC, argumentando que as três concepções clássicas de linguagem antecessoras estão baseadas em visões mentalistas, comportamentalistas ou interacionistas: sendo a primeira como expressão do pensamento, a segunda como instrumento de comunicação e a terceira como forma de interação.
Através da teoria do caos Borges trabalha os sistemas caóticos e atratores como metáforas na profissionalidade docente. Segundo a autora um dos possíveis estados de um sistema caótico, em seu espaço de fases é conhecido como atrator estranho ou atrator caótico.
Para a autora através da metodologia da investigação é possível mapear alguns dos muitos significados, os quais constituem a formação inicial reflexiva para se planejar ações interventivas.
Em um dos tópicos trabalhados pela autora Borges sobre um modelo de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas na perspectiva de sistema caótico, entende-se que é construído via diagrama de blocos.
Segundo Palm III um diagrama de blocos ‘’ é uma forma de representar a dinâmica de um sistema linear ou não linear em forma gráfica’’. Os blocos representam a relação de entrada e saída de uma função de transferência.
No entanto através da leitura deste artigo, entende-se que que a autora teve como objetivo discursar sobre um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas com foco principal nas concepções de linguagem.

O propósito da teoria da complexidade e transdisciplinaridade é propor uma nova forma de pensar sobre os problemas da atualidade. Além disso, a teoria da complexidade e transdisciplinaridade oferecem uma perspectiva de superação do processo de atomização. Ainda constata-se que a referida teoria encontra-se em fase de construção, bem como há uma grande quantidade de professores que buscam se basear em seus conceitos.
Dentro desta teoria há alguns princípios que são de fundamental importância a ser discutido neste trabalho. O primeiro é o princípio holográfico. Este tem por finalidade colocar aos educadores o dilema colocado pelas estruturas disciplinares e fragmentárias da educação. Dilema esse que obriga os professores a exercitarem na transdisciplinaridade, termo cunhado por Jean Piaget, que chegou inclusive a afirmar que, um dia, a interdisciplinaridade seria superada por transdisciplinaridade (Nicolescu, 2003 apud Santos, 2008).
O próximo princípio é o princípio da transdisciplinaridade. Este tem o propósito de potencializar a aprendizagem ao trabalhar com imagens e conceitos que impulsionam as capacidades emocionais, mentais e corporais dos alunos.  Isto ajuda os alunos a se entrosarem na construção de significados de cada um, ou seja, individualmente. Para Paulo Freire (1997). “Trabalhar a educação com tal visão supera a mesmice do padrão educativo, encanta o aprender e resgata o prazer de aventurar-se no mundo das idéias”. (apud Santos, 2008, p. 76). Ou seja, os alunos constroem seus próprios conhecimentos.
Já o príncípio de completaridade dos opostos relata sobre ações que ocorrem no cotidiano da sociedade, que na maioria das vezes não temos muita certeza das coisas, vivemos no mundo da incerteza, assim é no ensino, nunca saberemos como será abordado a educação nos próximos dias, sendo que nos dias atuais, a educação se mostra abaixo dos princípios  e valores que deveria ser discutida. Desta forma, o princípio seguinte relata sobre essa incerteza que por intermédio é chamado de princípio da incerteza. Neste referido princípio são abordados os métodos de ensino tradicionais. Este tem por finalidade fazer com que os professores reflitam e se desfaçam de alguns métodos de ensino tradicional que utilizavam a alguns anos atrás.  Como forma de mudança na educação, alguns professores que ainda fazem uso destes referidos métodos possam modificá-los de uma forma com que estimule a aprendizagem dos alunos.
Já o próximo e último princípio é chamado de princípio da autopoiese. Além dos princípios abordados anteriormente, este também é extremamente importante para os educadores e para a reflexão da metodologia de ensino. Este princípio, termo empregado por Maturana e Varela (1995) e segundo estes pesquisadores “concluíram que todo ser vivo é um sistema autopoiético, ou seja, que se auto-organiza e autoconstrói” (apud Santos, 2008, p. 80). A idéia de autopoiese relembra, ao que o autor Paulo Freire (1997) aborda que “o conhecimento não se transmite, se constrói” (apud Santos, 2008, p. 80).
Definir complexidade não é simplesmente afirmar que algo é complicado. Para Boeira (2005) a complexidade não está inclinada para um só lado, ela recusa a unilateridade e aborda a realidade contraditória e ambígua de uma maneira complexa. Segundo Morin (2005), paradigma é uma noção além das paredes das universidades, que “transcende os grupos de cientistas e remete a um conjunto de princípios que estão, por assim dizer, além das teorias, atrás e na frente de toda teorização.”
Condicionando as teorias e o processo de teorizar, não se pode considerar paradigma uma teoria, há dimensões veladas num paradigma. Já o paradigma da complexidade procede da consciência dos fracassos do paradigma e da crítica do paradigma da simplificação, reunindo vários paradigmas menores. Morin traça ao menos sete paradigmas da complexidade.
Complexidade é um fato, no mundo natural ele está ligado à multiplicidade, ao vínculo e a interação ininterrupta da imensidade de sistemas e fenômenos. Os sistemas complexos fazem parte de nós e vice versa. A complexidade é abrangente, flexível e um sistema de pensamento aberto – pensamento complexo. Mariotti (2000) define que a experiência humana não se divide em partes e nem se reduz a uma apenas, ela é toda bio-psico-social. Primeiro – percebemos o mundo, depois estas percepções geram sentimentos e emoções. Então se elaboram os pensamentos que determinam o nosso comportamento no dia a dia.
Para Mariotti “o modelo mental cartesiano é indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos (abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia).” Porém é insuficiente para solucionar problemas humanos em que atuam as emoções e sentimentos (a dimensão psico-social).
O pensamento complexo permite entender vários processos e baseia-se na obra de vários autores, e os trabalhos podem ser aplicados em biologia, sociologia, antropologia social e desenvolvimento sustentado. Humberto Maturana e Francisco Varela desenvolveram a biologia da cognição, que é uma das principais linhas, sustentando a realidade e “é percebida por um dado indivíduo segundo a estrutura de seu organismo num dado momento. Essa estrutura muda sempre, de acordo com a interação do organismo com o meio.”
Devemos equilibrar razão e emoção, porque o racional vem do emocional, não o contrário. E harmonizar o pensamento linear e o pensamento sistêmico. Esse é o projeto basilar do modelo complexo e crescer numa cultura significa adquirir e desenvolver cidadania. Baseando-se apenas no pensamento linear, não se pode produzir um entendimento aceitável da cidadania e do desenvolvimento sustentado Mas também, o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para as mesmos propósitos.
Em relação ao pensamento linear podemos dizer que é uma prática necessária, mas não consegue compreender e nem lidar com a totalidade da vida. O pensamento sistêmico é um instrumento de grande valia para entender a complexidade do mundo natural. Proporcionando resultados só operacionais, e não são suficientes para entender e alcançar a totalidade do cotidiano das pessoas.
O pensamento complexo reúne as visões de mundo linear e sistêmico. Mariotti (2000) explica que “essa abrangência possibilita a elaboração de saberes e práticas que permitem buscar novas formas de entender a complexidade dos sistemas naturais e lidar com ela, o que, é claro, inclui o ser humano e suas culturas.” Dessa maneira, são muito evidentes as conseqüências práticas dessa visão bem mais extensa.
Morin (2005) define que:

O Princípio Sistêmico ou Organizacional estabelece as ligações entre as partes e o todo. Ambos se encontram indissociáveis. Estão envoltos em um processo de interações, no qual as partes revelam o todo, e vice-versa, mantendo uma vinculação permanente. A Educação é parte de um todo – o contexto social e histórico, onde atuam diversas dimensões: a econômica, a cultural, a social, a política, a psicológica e a biológica, entre outras.

A parte e o todo são considerados inseparáveis, neste caso, e estão ligadas de modo multidimensional. Portanto, a Complexidade possui recursos teóricos e metodológicos para entendê-la como um processo dialógico, que abriga a ordem e a desordem. Proporciona a reflexão e uma reavaliação do conhecimento, gerando um autoconhecimento. É uma possibilidade de reformular o processo educacional.
 Referencias
BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. ReVEL, v. 14, n. 27, 2016 (www.revel. Inf.br).
MARIOTTI, Humberto. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Editora palas Athena, 2000.
MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina. 2005.      
RAMOS, Roberto. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa. Educar, Curitiba, n. 32, p.75-86, 2008. Editora UFPR.     
SANTOS, A. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares. Revista Brasileira de Educação, v.13, n. 37, 2008.





Resenha Complexidade

Vanderléia Tadra

O propósito da teoria da complexidade e transdisciplinaridade é propor uma nova forma de pensar sobre os problemas da atualidade. Além disso, a teoria da complexidade e transdisciplinaridade oferecem uma perspectiva de superação do processo de atomização. Ainda constata-se que a referida teoria encontra-se em fase de construção, bem como há uma grande quantidade de professores que buscam se basear em seus conceitos.
Dentro desta teoria há alguns princípios que são de fundamental importância a ser discutido neste trabalho. O primeiro é o princípio holográfico. Este tem por finalidade colocar aos educadores o dilema colocado pelas estruturas disciplinares e fragmentárias da educação. Dilema esse que obriga os professores a exercitarem na transdisciplinaridade, termo cunhado por Jean Piaget, que chegou inclusive a afirmar que, um dia, a interdisciplinaridade seria superada por transdisciplinaridade (Nicolescu, 2003 apud Santos, 2008).
O próximo princípio é o princípio da transdisciplinaridade. Este tem o propósito de potencializar a aprendizagem ao trabalhar com imagens e conceitos que impulsionam as capacidades emocionais, mentais e corporais dos alunos.  Isto ajuda os alunos a se entrosarem na construção de significados de cada um, ou seja, individualmente. Para Paulo Freire (1997). “Trabalhar a educação com tal visão supera a mesmice do padrão educativo, encanta o aprender e resgata o prazer de aventurar-se no mundo das idéias”. (apud Santos, 2008, p. 76). Ou seja, os alunos constroem seus próprios conhecimentos.
Já o príncípio de completaridade dos opostos relata sobre ações que ocorrem no cotidiano da sociedade, que na maioria das vezes não temos muita certeza das coisas, vivemos no mundo da incerteza, assim é no ensino, nunca saberemos como será abordado a educação nos próximos dias, sendo que nos dias atuais, a educação se mostra abaixo dos princípios  e valores que deveria ser discutida. Desta forma, o princípio seguinte relata sobre essa incerteza que por intermédio é chamado de princípio da incerteza. Neste referido princípio são abordados os métodos de ensino tradicionais. Este tem por finalidade fazer com que os professores reflitam e se desfaçam de alguns métodos de ensino tradicional que utilizavam a alguns anos atrás.  Como forma de mudança na educação, alguns professores que ainda fazem uso destes referidos métodos possam modificá-los de uma forma com que estimule a aprendizagem dos alunos.
Já o próximo e último princípio é chamado de princípio da autopoiese. Além dos princípios abordados anteriormente, este também é extremamente importante para os educadores e para a reflexão da metodologia de ensino. Este princípio, termo empregado por Maturana e Varela (1995) e segundo estes pesquisadores “concluíram que todo ser vivo é um sistema autopoiético, ou seja, que se auto-organiza e autoconstrói” (apud Santos, 2008, p. 80). A idéia de autopoiese relembra, ao que o autor Paulo Freire (1997) aborda que “o conhecimento não se transmite, se constrói” (apud Santos, 2008, p. 80).
Definir complexidade não é simplesmente afirmar que algo é complicado. Para Boeira (2005) a complexidade não está inclinada para um só lado, ela recusa a unilateridade e aborda a realidade contraditória e ambígua de uma maneira complexa. Segundo Morin (2005), paradigma é uma noção além das paredes das universidades, que “transcende os grupos de cientistas e remete a um conjunto de princípios que estão, por assim dizer, além das teorias, atrás e na frente de toda teorização.”
Condicionando as teorias e o processo de teorizar, não se pode considerar paradigma uma teoria, há dimensões veladas num paradigma. Já o paradigma da complexidade procede da consciência dos fracassos do paradigma e da crítica do paradigma da simplificação, reunindo vários paradigmas menores. Morin traça ao menos sete paradigmas da complexidade.
Complexidade é um fato, no mundo natural ele está ligado à multiplicidade, ao vínculo e a interação ininterrupta da imensidade de sistemas e fenômenos. Os sistemas complexos fazem parte de nós e vice versa. A complexidade é abrangente, flexível e um sistema de pensamento aberto – pensamento complexo. Mariotti (2000) define que a experiência humana não se divide em partes e nem se reduz a uma apenas, ela é toda bio-psico-social. Primeiro – percebemos o mundo, depois estas percepções geram sentimentos e emoções. Então se elaboram os pensamentos que determinam o nosso comportamento no dia a dia.
Para Mariotti “o modelo mental cartesiano é indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos (abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia).” Porém é insuficiente para solucionar problemas humanos em que atuam as emoções e sentimentos (a dimensão psico-social). O autor dá um exemplo:
O raciocínio linear aumenta a produtividade industrial por meio da automação, mas não consegue resolver o problema do desemprego e da exclusão social por ela gerados, porque se trata de questões não-lineares. O mundo financeiro é apenas mecânico, mas o universo da economia é mecânico e humano. (MARIOTTI, Humberto, 2000, p.2)
O pensamento complexo permite entender vários processos e baseia-se na obra de vários autores, e os trabalhos podem ser aplicados em biologia, sociologia, antropologia social e desenvolvimento sustentado. Humberto Maturana e Francisco Varela desenvolveram a biologia da cognição, que é uma das principais linhas, sustentando a realidade e “é percebida por um dado indivíduo segundo a estrutura de seu organismo num dado momento. Essa estrutura muda sempre, de acordo com a interação do organismo com o meio.”
Devemos equilibrar razão e emoção, porque o racional vem do emocional, não o contrário. E harmonizar o pensamento linear e o pensamento sistêmico. Esse é o projeto basilar do modelo complexo e crescer numa cultura significa adquirir e desenvolver cidadania. Baseando-se apenas no pensamento linear, não se pode produzir um entendimento aceitável da cidadania e do desenvolvimento sustentado Mas também, o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para as mesmos propósitos.
Em relação ao pensamento linear podemos dizer que é uma prática necessária, mas não consegue compreender e nem lidar com a totalidade da vida. O pensamento sistêmico é um instrumento de grande valia para entender a complexidade do mundo natural. Proporcionando resultados só operacionais, e não são suficientes para entender e alcançar a totalidade do cotidiano das pessoas.
O pensamento complexo reúne as visões de mundo linear e sistêmico. Mariotti (2000) explica que “essa abrangência possibilita a elaboração de saberes e práticas que permitem buscar novas formas de entender a complexidade dos sistemas naturais e lidar com ela, o que, é claro, inclui o ser humano e suas culturas.” Dessa maneira, são muito evidentes as conseqüências práticas dessa visão bem mais extensa.
Morin (2005) define que:

O Princípio Sistêmico ou Organizacional estabelece as ligações entre as partes e o todo. Ambos se encontram indissociáveis. Estão envoltos em um processo de interações, no qual as partes revelam o todo, e vice-versa, mantendo uma vinculação permanente. A Educação é parte de um todo – o contexto social e histórico, onde atuam diversas dimensões: a econômica, a cultural, a social, a política, a psicológica e a biológica, entre outras.

A parte e o todo são considerados inseparáveis, neste caso, e estão ligadas de modo multidimensional. Portanto, a Complexidade possui recursos teóricos e metodológicos para entendê-la como um processo dialógico, que abriga a ordem e a desordem. Proporciona a reflexão e uma reavaliação do conhecimento, gerando um autoconhecimento. É uma possibilidade de reformular o processo educacional.
Em seguida, temos o artigo de Elaine Ferreira do Vale Borges, intitulado ‘’ Um modelo Caótico de Desenvolvimento Reflexivo da Profissionalidade de Professores de Línguas’’, é introduzido discutindo que por um lado existe grande preocupação com o processo interno (profissionalidade) da formação inicial de professores, e o por outro existe grande cuidado com o processo externo (profissionalização).
Resultado de imagem para imagens de leitura e escritaA autora da continuidade ao texto discutindo sobre esses termos ‘’profissionalidade  e profissionalização’’ visto que a grande necessidade de se debater as bases de formações reflexivas que passem a refletir  a evolução docente como um sistema adaptativo complexo.
Borges apresenta em seu artigo modelos de ensino e reflexão na formação de professores, para melhor apresentar estes modelos a autora cita Smyth( 1991) que situa a ‘’ formação via reflexão qual parte da conscientização do professor da sua própria alienação e das forças limitam e impulsionam o seu fazer docente’’. 
Os modelos de ensino citados pela autora são: modelo artesanal que seria a imitação de bons profissionais, modelo da ciência aplicada que resulta na racionalidade técnica, e modelo reflexivo que é o desenvolvimento de competência profissional por meio de uma reflexão tanto teórica quanto prática. Estes três grandes modelos de educação profissional são descritos por Wallace (1991).
Borges cita também o autor Richards (2010) que enfatiza três concepções de ensino, as quais baseiam a formação dos professores: ciência- pesquisa; teoria-filosofia; arte-artesanato. Sendo a primeira derivada de pesquisa, experimentos e investigação empírica; a segunda baseadas em teorias e a última apoiada na invenção e personalização.
Mais adiante ao discutir as concepções de linguagens na licenciatura em letras, salienta que tendo em vista a principal finalidade deste curso é a formação de professores de línguas e literaturas é preparado pelas concepções de linguagem, sendo que são estas concepções que constroem o objeto de estudo deste campo.
A autora prossegue conceituando a linguagem como SAC, argumentando que as três concepções clássicas de linguagem antecessoras estão baseadas em visões mentalistas, comportamentalistas ou interacionistas: sendo a primeira como expressão do pensamento, a segunda como instrumento de comunicação e a terceira como forma de interação.
Através da teoria do caos Borges trabalha os sistemas caóticos e atratores como metáforas na profissionalidade docente. Segundo a autora um dos possíveis estados de um sistema caótico, em seu espaço de fases é conhecido como atrator estranho ou atrator caótico.
Para a autora através da metodologia da investigação é possível mapear alguns dos muitos significados, os quais constituem a formação inicial reflexiva para se planejar ações interventivas.
Em um dos tópicos trabalhados pela autora Borges sobre um modelo de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas na perspectiva de sistema caótico, entende-se que é construído via diagrama de blocos.
Segundo Palm III um diagrama de blocos ‘’ é uma forma de representar a dinâmica de um sistema linear ou não linear em forma gráfica’’. Os blocos representam a relação de entrada e saída de uma função de transferência.
No entanto através da leitura deste artigo, entende-se que a autora teve como objetivo discursar sobre um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas com foco principal nas concepções de linguagem.

Referência
BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas.ReVEL, v. 14, n. 27, 2016 (www.revel. Inf.br).
MARIOTTI, Humberto. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Editora palas Athena, 2000.
MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina, 2005.
RAMOS, Roberto. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa.Educar, Curitiba, n. 32, p. 75-86, 2008. Editora UFPR.
SANTOS, A. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares. Revista Brasileira de Educação, v.13, n. 37, 2008.




Teoria da Complexidade

 Tobias Miguel

            A complexidade sendo vista “no senso comum, é sinônimo de complicação”, todavia, com um olhar científico ela é um fato, um pensamento complexo que é abrangente, múltiplo, aberto, flexível.
            O paradigma da complexidade surgiu com Edgar Morin, a partir da década de 70, e “faz um resgate etimológico. Recorre ao Latim – ‘Complexus é o que se tece junto’. Especifica, assim, a tarefa da Complexidade de, ao mesmo tempo, ‘unir (...) e aceitar a ideia da incerteza’. (...) uma cumplicidade de desconstrução e de criação, de transformação do todo sobre as partes e das partes sobre o todo. ” (RAMOS, 2008, p.81).
            Em seu livro Mariotti (2000) apresenta que o pensamento complexo é baseado na obra de vários autores e em diferentes áreas, sendo por ele colocado com “a experiência humana é um todo bio-psico-social, que não pode ser dividido em partes nem reduzido a nenhuma delas”. O autor ressalta fatores de tais áreas que fazem analisar de que o pensamento complexo está certo, pois o sujeito faz parte do seu meio, e o meio faz parte do sujeito, um compõem o outro.
Resultado de imagem para imagens de leitura e escrita            Em todos os textos é citado o modelo cartesiano de Descartes, o qual é oriundo das ciências exatas, e esse vem sendo rebatido por estudiosos da complexidade, embora ele tem a sua contribuição, ele vem sendo utilizado como base para a afirmação de que a complexidade é necessária e possível, pensando sempre na melhoria da educação, como diz Ramos (2008) O método cartesiano, é válido, para estudar objetos de estudo previsíveis, que mantêm uma certa constância. Não é o caso da Educação. (p.84).
            A ideia do pensamento da complexidade é que ele não seja excludente. No paradigma composto por Morin, são delineados setes princípios, sendo eles: a) o sistêmico ou organizacional; b) o hologramático; c) o do anel retroativo; d) o do anel recursivo; e) o da auto-ecoorganização; f) o do dialógico; g) o da reintrodução daquele que conhece em todo conhecimento.
            O Professor Roberto Ramos em seu artigo cita que “o mundo mudou, porém o mundo educacional parece se manter incólume”. (2008, p.76) ou seja, se mantém bem conservado, sem alteração, todavia são necessárias mudanças para que a educação acompanhe a evolução do mundo, para que ela não fique estagnada fazendo com que ao invés de melhorarmos, estando parados, estamos perdendo.
            Nossa educação como é citado, fora pensado em modelos norte-americanos, entretanto, foi pensado em um modelo o qual a realidade da sociedade brasileira é diferente, sendo assim ele vem sendo analisado por estudiosos nos diversos governos brasileiros, e sendo constado de que não vem há uma melhora significativa, pois “a educação é parte de um todo – o contexto social e histórico, onde atuam diversas dimensões. ” (RAMOS, 2008, p.82).
            A Professora Akiko Santos nos apresenta a “Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido” (2008), texto o qual fora apresentado no I Encontro Brasileiro de Estudos da Complexidade (EBEC), que aconteceu em Curitiba em 2005.
            No presente texto, a professora nos apresenta sobre o princípio da fragmentação, esse que é pensado da forma em que cada dificuldade deve ser dividida em quantas parcelas foram possíveis e necessárias para melhor resolvê-la, ocasionando sim um acumulo de conhecimentos.
            No entanto, nesse pensamento a educação fora subdivida e em conhecimentos por áreas, e essa divisão originou o que hoje vemos como fronteiras epistemológicas delimitadas, tornando o ensino, de certa forma, não tão benéfico, pois os educadores preocupam-se com sua área fazendo com que o aluno deva decorar fórmulas e conteúdos, mas ele não está vendo, percebendo articulação entre esses conhecimentos, e é esse modo de pensar que a autora instiga que devemos estimular em nossos alunos e também em nossos professores.
            A autora apresenta os princípios, sendo eles o holográfico “esse princípio afirma que a parte não somente está dentro do todo, como o próprio todo também está dentro das partes” (Morin, 1991); o princípio da complementaridade dos opostos que “ao articular os opostos, o princípio opõe-se à dicotomia dos binários, remetendo o olhar para o nível de realidade integrada” (p.77); o princípio da incerteza que “a certeza construída terá sempre uma janela aberta à incerteza”(p.79) pois “o conhecimento não está estagnado, ele é dinâmico.” (p.79); o princípio da autopoiese, que o ser vivo se auto-organiza, autoconstrói, termo de autofazer-se; e o princípio da transdisciplinaridade, sendo esse o mais interessante ao meu ver.
            O princípio da transdisciplinaridade abre a possibilidade de um processo sem fim, de uma nova realidade, de um “sentido que não se tem uma Verdade última e absoluta” (p.75), ele “propõe-se a transcender a lógica clássica, a lógica ‘sim’ ou ‘não’, do ‘é’ ou ‘não é’. (p.74), a ideia de que todos os conhecimentos de todas as ciências têm sua importância, em que “os conhecimentos disciplinares e transdisciplinares não se antagonizam, mas se completam. (p.75)
            Como Ramos (2008), concluo que, pensar em educação, com olhar cartesiano, é se cegar. O paradigma da complexidade, não tem a intenção de resolver tudo, porém faz ver que a educação tem seu contexto amplo, e que devemos pensa-la como um processo plural, dialógico, e como Morin, temos de ver o conhecimento como abrigo de certezas e incertezas.
            




O Contraste entre as Teorias Propostas pela Base Nacional Comum Curricular e a Metodologia Pós-Método


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Adriana Carolina Aleixo

            A área de linguagens, descrita na “Base Nacional Comum Curricular” (BNCC) enfatiza que, é tarefa da Educação Básica desenvolver a escrita para que os alunos tenham capacidade de ler e produzir textos dentro das mais variadas esferas de comunicação; deve-se, também, propiciar ao aluno a oportunidade de estar imerso em manifestações artísticas, literárias e corporais com relação ao ensino de língua.
            O ensino na área de linguagens deve estar relacionado às áreas da Arte e da Educação Física, assim como aos conhecimentos cotidianos, para que ajude no desenvolvimento do aluno. Na Educação Básica, a BNCC propõe que o ensino na área das linguagens possibilite que o aluno interaja com praticas de linguagem; reconheça as condições de produção; reflita sobre os usos da linguagem e os seus efeitos de sentido; compreenda a diversidade linguística; interaja através da linguagem e reconheça a dimensão estética e poética da linguagem.
            Nos primeiros anos do Ensino Fundamental devem ser levadas em conta as culturas infantis, as tradições orais e as situações lúdicas de aprendizagem. Nestes anos o desenvolvimento das linguagens faz com que a criança possa utilizar situações e contextos do seu dia-a-dia para concretizar o aprendizado da linguagem. Levando em conta que nesses anos iniciais do Ensino Fundamental a criança já pratica a escrita, a oralidade e outras formas e características do texto, o professor deve desenvolver esta pratica em situações e espaços inovadores aos alunos.
            Já nos anos finais do Ensino Fundamental os alunos encaram transições pessoais e escolares, e a área das linguagens deve acompanhar essa transição , trazendo para a sala de aula as culturas juvenis e o contato com a literatura e as artes, assim como a reflexão crítica sobre a escrita, de modo que o aluno desenvolva uma maior fluência e compreensão da linguagem através da imersão.
            Durante p Ensino Fundamental a área de linguagens almeja que o aluno domine a fala, a leitura e a escrita; reflita sobre as linguagens artísticas; reconheça e valorize manifestações culturais, línguas e culturas estrangeiras, e características individuais e sociais.
            No Ensino Médio, etapa conclusiva de escolarização da Educação Básica, a área de linguagens deve proporcionar conhecimentos e saberes que transformem o aluno em um ser critico, preparado para o trabalho e para dar continuidade aos estudos, e integrado com a cultura e com as tecnologias do mundo contemporâneo. Nesta etapa, a área de linguagens deve relacionar o conhecimento e a realidade dos alunos com o ensino, adensando as reflexões linguísticas e a teorização, de modo que a teorização Lee os alunos a uma maior compreensão dos modos de expressão.
            Os objetivos gerais da área de linguagens no Ensino Médio são que o aluno tenha a capacidade de interagir em debates como um ser critico e social; explorar e refletir sobre as diversidades da linguagem; utilizar a linguagem literária e critica de modos inovadores em diversas esferas sociais; refletir sobre a diversidade humana; produzir conhecimento e explorar a linguagem no mundo digital.
            Quanto ao componente curricular da Língua Estrangeira Moderna, a BNCC diz que se deve garantir ao aluno o direito de conhecimento através do uso da pratica linguística, oferecendo condições e conhecimentos que relacionem os textos na língua em estudo com situações cotidianas dos alunos, e que os façam interagir com outras culturas e nacionalidades.
            Para que este componente curricular seja efetivo, ele deve combater a visão tecnicista da língua e priorizar uma abordagem discursiva. Este componente deve motivar o respeito a diferentes culturas, utilizando textos para colocar o aluno de frente com as diversidades, ampliando os seus conhecimentos e possibilitando a inserção social.
            Durante o Ensino Fundamental procura-se romper estereótipos  e possibilitar a diversidade através da criatividade e do pensamento lúdico, assim como o conhecimento de diferentes línguas. Já no Ensino Médio deve-se compreender a constituição do sujeito através da linguagem e das praticas sociais.
            Por fim, os objetivos de aprendizagem na área das linguagens procuram promover a interação com textos na língua estrangeira (através da produção oral, escrita e da leitura); a compreensão de textos orais e escritos, e dos gêneros textuais; utilizar recursos linguísticos discursivos; valorizar o plurilinguismo e as variações linguísticas; e refletir quanto a própria aprendizagem.
A Metodologia Pós-Método, desenvolvida por B. Kumaravadivelu, no livro “Understanging Language Teaching” (2006), inicia-se com a diferenciação entre método e metodologia, sendo o método o conhecimento das teorias da linguagem em si, do aprendizado da linguagem e do ensino da linguagem; enquanto a metodologia é o que o professor faz em sala de aula para maximizar o aprendizado.
Levando em conta que os métodos de ensino nada mais são do que o conhecimento teórico, surgiu a necessidade de algo mais prático, por isso Kumaravadivelu desenvolveu a Condição do Pós-Método, que reestrutura a relação entre teoria e prática.
A pedagogia do pós-método pode ser vista como um sistema tridimensional, que abrange os seguintes parâmetros pedagógicos: a particularidade, a praticidade e a possibilidade.
O parâmetro da particularidade diz que a pedagogia do pós-método deve ser válida para um determinado grupo de professores, que estão lecionando para um determinado grupo de alunos, que possuem um determinado objetivo dentro de um determinado contexto educacional e sociocultural, ou seja, o parâmetro da particularidade dá ênfase as exigências locais e experiências de vida, e rejeita métodos com objetivos fixos que podem ser aplicados em qualquer situação.
O parâmetro da praticidade abrange a relação entre a teoria e a pratica, e a capacidade de monitoramento do professor quanto a efetividade do seu ensino. Este parâmetro esta focado na ação, reflexão, intuição e senso de viabilidade do professor em unir teoria e prática de modo efetivo através das suas experiências em sala.
Já o parâmetro da possibilidade está relacionado com a identidade individual do professor e do aluno, levando em conta os contextos sociais, econômicos e políticos que estão inseridos, assim como a ideologia linguística do aluno. Este parâmetro mostra a importância da linguagem na construção da subjetividade, e, no contexto de ensino de L2, ele une a linguagem e a cultura.
Os parâmetros da particularidade, praticidade e possibilidade funcionam como princípios operadores, que se manifestam através dos indicadores pedagógicos; estes indicadores se referem as funções e características dos participantes nas operações de ensino-aprendizagem de L2 através da pedagogia do pós-método.
A pedagogia do pós-método tenta atrais o interesse e investimento do aluno ao dar a ele um papel importante nas tomadas de decisões pedagógicas, e tratando o aluno como um participante ativo e autônomo, desenvolvendo neles a capacidade de assumir o controle do seu aprendizado, determinando os seus objetivos, definindo conteúdos, selecionando técnicas, e monitorando e avaliando a sua aquisição.
Alunos geralmente utilizam inúmeras estratégias metacognitivas, cognitivas, sociais e afetivas, para alcançar seus objetivos de aprendizado. Existem muitas maneiras individuais de aprender uma língua, e alunos diferentes criam estratégias diferentes, porém todas elas dão ao aluno um senso de responsabilidade quanto ao seu próprio aprendizado. Esta autonomia ajuda o aluno a se tornar um aluno efetivo e pensador critico, assim como desenvolve a competência intelectual, a consciência social, e a atitude mental necessária para avaliar oportunidades e superar desafios dentro e fora da sala de aula.
Para o pós-método o professor deve ser autônomo, e saber utilizar o conhecimento e o seu potencial para saber como ensinar e como ser autônomo no seu trabalho. O pós-método dá ao professor a capacidade de analisar e avaliar o seu ensino, de modificar a sua metodologia e monitorar os efeitos desta mudança, ou seja, a capacidade de desenvolver e modificar os seus métodos para alcançar um ensino-aprendizado proveitoso utilizando os seus conhecimentos práticos.
O formador de professores pode usar a metodologia pós-método para sugerir os melhores métodos para ensinar, o comportamento mais apropriado para ensinar, e criar condições para que o futuro professor adquira autoridade e autonomia e dar forma as suas próprias experiências pedagógicas. Para que a formação de professores seja mais eficiente ela deveria passar por uma reestruturação, dando mais espaço ao pós-método.
Enquanto a BNCC tenta passar métodos de ensino que se encaixam em qualquer situação, Kumaravadivelu apresenta o pós-método como uma solução para um ensino-aprendizagem de língua muito mais efetiva. Em um país como o Brasil é impossível tentar impor uma base comum para o ensino, a diversidade sociocultural dos estados faz com que essa imposição leve a um ensino básico, quase medíocre, que acaba impossibilitando que alunos de todo o país tenham uma educação exatamente igual. Embora a BNCC tente impor um ensino multicultural sabemos, através da prática em sala de aula, que para a aula ser proveitosa para os alunos e professores, é necessário uma abordagem que leve em conta a situação regional, social e cultural em que os alunos estão inseridos. Deste modo, acredito que a metodologia do Pós-Método proposta por Kumaravadivelu seja a mais ideal e mais proveitosa para o ensino de línguas.

 Referências
B. Kumaravadivelu. Understanding Language Teaching: From Method To Postmethod. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – Documento preliminar. MEC. Brasília, DF, 2015.



            Pensamento complexo na educação

Luiz Eduardo Perek

            É natural que tudo sofra alterações ao passar do tempo, a educação se transforma a cada ano, estudos que defendem uma melhor maneira de ensino são desenvolvidos com a finalidade de modificar a estrutura de educação implementada anos atrás nas escolas nacionais.
            Com a Revolução de 1930 a educação brasileira sofre mudanças, com a industrialização foi necessária essa mudança, o ensino passou a ser mais orientado de forma linear, a educação era uma alternativa de modelar a sociedade. Em 1964 e o Golpe Militar a estrutura educacional nacional foi espelhada na forma de ensino dos Estados Unidos, era uma educação voltada para o mercado de trabalho, os professores e alunos eram orientados de forma incomplexa, objetivando o mercado de trabalho, o ensino era a base de uma sociedade para mão de obra e empresarial.
            Porém, estudos recentes defendem a ideia de uma abordagem mais complexa e social, afirmam que o ambiente de sala de aula deve fugir do exato e seguro, como em uma aula de matemática, o ser humano tem a autonomia de fazer suas próprias escolhas, opinar e interagir com os demais, estudos da área apontam as teorias de Edgar Morin como base para um ensino pautado a complexidade e expressão de pensamentos.
            Morin defende princípios direcionados a transdisciplinaridade, ao rompimento de barreiras entre disciplinas, tudo que envolve a educação expõe diferentes e diversos teóricos e ideias, com base nesse pensamento o ensino deve percorrer por enumeras áreas de conhecimento, assim construindo e desenvolvendo uma aprendizagem não linear, com expressões e opiniões múltiplas por parte do professor e também do aluno, para ao “fim” chegar a um pensamento mais completo e complexo.
            Uma possível definição de complexidade seria a ideia de um pensamento aberto, alimentar a consciência com novas ideias, aceitar diferentes opiniões e visões de mundo, saber viver com a incerteza, entendê-las para assim saber conviver com elas, nunca considerar algo uma verdade absoluta. Essa é a alternativa de ensino que os estudos da área defendem, é natural que todos tenhamos uma ideologia, isso acontece devido aos aspectos sócio- históricos, o indivíduo cresce de acordo com a sociedade a sua volta, ponto que deve ser considerado para aprimorar a maneira de ensino do professor. O sujeito deve ser considerado em conjunto com o ambiente e com seu conhecimento prévio, opiniões individuais devem ser consideradas e novas ideias expostas.
            São enumeras as visões de mundo presentes na educação, isso não quer dizer que não exista um consenso entre elas, caso contrário não há um pensamento complexo, a complexidade auxilia o indivíduo a desenvolver a cidadania, com isso a sociedade evolui em conjunto com o sujeito e o ambiente, o mundo ao nosso redor aprimora-se e desenvolve-se. A ciência é um exemplo disto, novas descobertas são feitas a cada ano, devido ao interesse do indivíduo na busca de novo conhecimento, o ser humano preso em um pensamento que ele considera concreto, imutável e verdadeiro não evolui.
            É preciso considerar a realidade contraditória e ambígua, e levar em consideração a complexidade, se opõe ao senso comum, o pensamento complexo necessita estar sempre em movimento e apresentar alterações, depende da criatividade e interesse por parte do indivíduo, sempre surgiram surpresas novas, a complexidade sempre estará em um ciclo.
            Porém não é simples construir um ambiente de ensino estruturado no pensamento complexo, isso pode se tornar um desafio para os educadores, tomando como base os professores de línguas, durante a graduação são diversos os assuntos abordados durante o curso, todavia, o conhecimento precisa se encaixar com as reivindicações das autoridades do estado.
            Levando em consideração essas exigências o conhecimento prévio do educador deve ser modificado de acordo com as práticas pedagógicas, tomando como base o inglês, o ensino da língua é voltado para o mercado de trabalho e comunicação internacional, pode ser uma grande dificuldade para o professor de línguas inciar sua formação como professor e com ela aplicar um ensino complexo em sala de aula, por conta disto estudos são desenvolvidos e discutidos para uma melhor orientação profissional e aprimorar o ensino brasileiro.
            A princípio o educador precisa diferenciar teoria da prática, avaliar suas intenções, os propósitos das mesmas e qual será os objetivos a serem alcançados, o processo é desenvolvido em receber conhecimento, desenvolvê-lo, experimentá-lo e repetir o ciclo, com a finalidade de conseguir a competência profissional, processo que pode ser desenvolvido através de pesquisa e atividades empíricas, baseado em teorias ou até mesmo conhecimento já consolidado pelo professor, desenvolvendo e aprimorando tais bases estruturais o trabalho deve ser avaliado e analisado para ao fim experimentar o conhecimento.
            É de extrema importância a conscientização do educador sobre as teorias bases a serem utilizadas, é como uma concordância com os teóricos, é necessário um profissional crítico, que sabe sobre a natureza da linguagem e dos estudos empregados e como atuar e lidar com as ideias desenvolvidas e estudadas, o domínio da linguagem molda a estrutura de ensino.
            Desse modo, com diversos teóricos formas de desenvolvimento e aplicação de ensino, a linguagem é considerada complexa, abrange diversas áreas e disciplinas, a língua age em conjunto com diversos pontos, como expressão de pensamento, instrumento de comunicação e interação social, ela se adapta de acordo com o indivíduo, ambiente e sociedade, um sistema adaptativo complexo (SAC).
            O esclarecimento desse sistema complexo deve ser exposto durante a graduação do profissional, o desenvolvimento de uma estrutura de ensino deve ser apresentado em dois pontos, a observação, reflexão e avaliação, que resultará na escolha dos materiais, documentos e necessidades dos alunos. Toda a estrutura a ser trabalhada está voltada a ciclos de ensino, a princípio é necessário conhecer o ambiente de trabalho, após isso desvendar o conhecimento dos alunos com base nas teorias trabalhadas pelo educador e assim construir o plano de ensino, objetivar as metas e trabalhar em conjunto com as ideias e opiniões dos alunos, para ao fim coletar tudo que foi passado e continuar o ciclo, desenvolvendo novas teorias e planos de aulas, com base no que já foi estruturado anteriormente.
            Muitas vezes o uso linear de ensino impede as interações entre as disciplinas, a estrutura educacional deve ser encarada como uma rede de relações, sujeito, ambiente e comunidade, a soma de todas essas características é fundamental para o ensino complexo, nada deve ser fragmentado, toda área se encontra dentro de um todo, que proporciona mais conhecimento quando em conjunto.
            Estudiosos da área consideram um erro já durante a graduação de profissionais a fragmentação de disciplinas, levando em consideração que certos conteúdos são trabalhados de forma isolada dos demais, é uma tentativa de priorizar determinado conteúdo, com a falsa noção de que o aluno compreenderá melhor o conteúdo exposto, mas, na verdade, isso rompe com a ideia de complexidade e transdisciplinaridade. A ligação entre diferentes disciplinas traz a ideia de “conhecimento concebido como uma rede de conexões”, distintas áreas de conhecimento proporcionam uma diferente visão, tudo é como diferentes níveis de realidade, e tudo se complementa.
            É necessário ter consciência que o conhecimento é histórico, se modifica e é provisório, o indivíduo deve mudar sua postura e forma de pensar, ele deve evoluir com o conhecimento, assim ocorre o rompimento da padronização do ensino, o sujeito se torna parte de um todo ao seu redor, estudos apontam que o ser humano possui tendências de permanecer no mesmo, para ele aquilo que é considerado certeza traz mais segurança para expressões de ideias e fundamentações de opiniões, mas a mudança se faz necessária, caso contrário o indivíduo se degenera não evolui com os demais.
            Todos são dependentes dos sistemas em que vivem, alterações no dia a dia e nos pensamentos proporciona uma maior criatividade e renovação, tudo que não acompanha a natureza da evolução acaba se perdendo no passado e caminham para ao esclerose, e acaba sendo excluído do meio social. Em relação ao ensino, o professor considerado normal é aquele que respeita as normas e continua previsível, e os alunos já estão acostumados com esse comportamento, mas o complexo e inovador surpreende os estudantes, inova o conhecimento tanto por parte dos alunos bem como o do educador.
            Dessa maneira, o local de aprendizagem se transforma em ambiente de comunicação, troca de ideias e surgimento de novos conhecimentos “aprendizagem é um processo progressivo em anel retroativo-recursivo”.
            Foram trabalhados como base cinco artigos de diferentes escritores para  desenvolver o assunto abordado, em geral todos com a mesma abordagem e temática, a complexidade do pensamento e o ensino em cima disto. Porém apresentam focos diferentes, um deles voltado em esclarecer o desenvolvimento da estrutura educacional, outros dois com base em explicar o conceito de complexidade, e os dois restantes são relacionados em como aplicar essa maneira de conhecimento no ensino.
            Em relação aos que focam no ensino, “Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas” e “Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido”, foram mais extensos que os demais por apresentar um conteúdo mais aprofundado na questão do ensino, com gráficos, bases teóricas empíricas e exposição de ideias, ambos apresentam diversas formas de ensino, todas com a finalidade no pensamento complexo, as alternativas esclarecidas são essenciais para futuros professores, a forma de lidar com o ambiente escolar e exposto do início ao fim e de diversas formas. O uso de gráficos até certo ponto chega a ser excessivo mas necessário para a ilustração e orientação dos leitores.
            Os artigos direcionados em esclarecer do que se trata a complexidade, “Complexidade e pensamento complexo” e “Paradigma e complexidade: breve introdução” são breves e precisos, e servem mesmo como uma introdução ao assunto, ambos trabalham para servirem como textos bases para uma futura leitura mais aprofundada de outros documentos. Ao final o texto, “A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa”, apresenta a princípio um conteúdo mais voltado em esclarecer o desenvolvimento do ensino através da política no território brasileiro, e de certa forma perde um pouco o foco em relação a complexidade, mas isso se altera ao decorrer do artigo, que aborda de uma forma mais geral ambos assuntos, complexidade e ensino.

REFERÊNCIAS

            RAMOS, R. A educação e o conhecimento: uma abordagem complexa. Curitiba: UFPR, 2008
            MARIOTTI, Humberto. Complexidade e pensamento complexo. IN. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Palas Athena, 2000.
            SANTOS, Akiko. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Revista Brasileira de Educação, 2008.
  BORGES, Elaine Ferreira do Vale. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. ReVEL, 2016
            BOEIRA, Sérgio Luís. Paradigma e complexidade: breve introdução.
           

             


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